Domingo, 22 de Novembro de 2009
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  AGUARDAR UNS BREVES INSTANTES ENQUANTO O GARATUJANDO CARREGA  

 

       

 

         

 

         

 

              

         NO  CONTACTO ÍNTIMO  COM  A  NATUREZA SENTE-SE A BELEZA

          INCOMPARÁVEL DAS FORMAS E DAS CORES QUE NELA EXISTEM

 

 

                                      ESTADOS DE ALMA                

 

         

 

         

                                                                       

                    A TV COMO INSTRUMENTO REDUTOR

 

Porque é que a TV foi essa «caixinha que revolucionou o mundo»? Faço a pergunta e as respostas vêm em turbilhão. Fez de tudo um espectáculo, fez do longe o mais perto, promoveu o analfabetismo e o atraso mental. De um modo geral, desnaturou o homem. E sobretudo miniturizou-o, fazendo de tudo um pormenor, misturado ao quotidiano doméstico. Porque mesmo um filme ou peça de teatro ou até um espectáculo desportivo perdem a grandeza e metafísica de um largo espaço de uma comunidade humana.
Já um acto religioso é muito diferente ao ar livre ou no interior de uma catedral. Mas a TV é algo de minúsculo e trivial como o sofá donde a presenciamos. Diremos assim e em resumo que a TV é um instrumento redutor. Porque tudo o que passa por lá chega até nós diminuído e desvalorizado no que lhe é essencial. E a maior razão disso não está nas reduzidas dimensões do ecrã, mas no facto de a «caixa revolucionadora» ser um objecto entre os objectos de uma sala.
Mas por sobre todos os males que nos infligiu, ergue-se o da promoção do analfabetismo. Ser é um acto difícil e olhar o boneco não dá trabalho nenhum. Ler exige a colaboração da memória, do entendimento e da imaginação.
A TV dispensa tudo. Uma simples frase como «o homem subiu a escada» exige a decifração de cada palavra, a relação das anteriores até se ler a última e a figuração do seu sentido e imagem correspondente. Mas na TV dá-se tudo de uma vez sem nós termos de trabalhar. Mas cada nossa faculdade, posta em desuso, chega ao desuso maior que é deixar de existir. Mas ser homem simplesmente é muito trabalhoso. E o mais cómodo é ser suíno...

Vergílio Ferreira

in "Escrever"

 

VERGÍLIO FERREIRA estudou no Seminário do Fundão, que abandonou em 1932, mas foi na cidade da Guarda que concluiu o Liceu (1935). Em 1940, licen­ciado em Filologia Clássica pela Universidade de Coimbra, tornou-se professor do ensino secundário (Faro, Évora e Lisboa). Sendo, algo indistintamente, romancista e ensaísta (escreveu também um Diário) –foi um contista emérito, autor de dois livros que reuniu num só volume, acrescido de inéditos. Após uma breve aproximação ao Neo-realismo, irrompeu pela senda de uma ficção que alguns apodam de filosófica e existencialista. Legou-nos como modelo aquilo que ele próprio designou por «romance-problema».

Obras principais: Conto: Contos (1976); Romance: Mudança (1949), Manhã Submersa (1953), Aparição (1959), Alegria Breve (1965), Nítido Nulo (1971), Rápida, a Sombra (1974), Signo Sinal (1979), Para Sempre (1983), Até ao Fim (1987), Em Nome da Terra (1990), Na Tua Face (1993); Ensaio: Espaço do Invisível (em 4 vols. –– 1965-1987); Diário: Conta-Corrente (9 vols., 1980-1994).

 

  

                         O NOSSO LUGAR NO UNIVERSO 

 

Julga-se que o Universo tenha sido criado há 10 000 a 15 000 milhões de anos durante uma imensa explosão, o Big Bang. Toda a matéria se formou numa fracção de segundo num espaço infinitamente pequeno e, simultaneamente, expandiu-se de forma ruidosa a uma enorme velocidade. Com a expansão do Universo, a matéria começou a arrefecer a partir das imensuráveis temperaturas iniciais. À medida que arrefeciam, minúsculas partículas fundamentais combinaram-se, dando origem a protões e neutrões, que, por sua vez, formaram átomos de hidrogénio e de hélio, gases que constituem a maior parte do Universo actual. Os astrónomos descobriram que o Universo continua em expansão, embora um dia possa parar e voltar a contrair-se num grande colapso final, o Big Crunch.

Vejamos como nos situamos nesta incomensuravel vastidão cósmica.

 

Formatação e legendas de A.L.

 

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Sábado, 21 de Novembro de 2009
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                                                     POR                                

                                             MIA COUTO 

 

                                POBRES DOS NOSSOS RICOS 

 

A maior desgraça de uma nação pobre é que em vez de produzir riqueza, produz ricos.

Mas ricos sem riqueza.

Na realidade, melhor seria chamá-los não de ricos mas de endinheirados.

Rico é quem possui meios de produção.

Rico é quem gera dinheiro e dá emprego.

Endinheirado é quem simplesmente tem dinheiro. ou que pensa que tem.

Porque, na realidade, o dinheiro é que o tem a ele.

A verdade é esta: são demasiado pobres os nossos "ricos".

Aquilo que têm, não detêm.

Pior: aquilo que exibem como seu, é propriedade de outros.

É produto de roubo e de negociatas.

Não podem, porém, estes nossos endinheirados usufruir em tranquilidade de tudo quanto roubaram.

Vivem na obsessão de poderem ser roubados.

Necessitavam de forças policiais à altura.

Mas forças policiais à altura acabariam por lança-los a eles próprios na cadeia.

Necessitavam de uma ordem social em que houvesse poucas razões para a criminalidade.

Mas se eles enriqueceram foi graças a essa mesma desordem (...)  

(MIA COUTO escrtor e poeta moçambicano)

 

 

 

                                .

                                foto de 1981                      

ROSA FEITEIRA nasceu na Póvoa de Varzim em 1951, tendo vivido em Lourenço Marques desde criança..

 Participou em  programas de fado do Rádio Clube de Moçambique .

Em 1969, terminado o liceu, prosseguiu os seus estudos em Portugal, onde se licenciou em Filologia Germânica pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.  Exerce a docência naquela cidade.

Poveira por nascimento e descendente de poveiros, já aqui se apresentaram algumas interpretações suas  recolhidas de arquivos do tempo da sua passagem pela estação emissora da então cidade de Lourenço Marques.

Oiçamo-la hoje no conhecido fado "Disse-te adeus e morri..." 

 

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ACONSELHÁVEL OUVIR EM SOM ALTO- 

 

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 Num mundo  cada vez mais desumanizado, onde se assiste a sangrentos conflitos em todos os continentes, onde a  babárie grassa em horriveis formas de violência e opressão sobre as pessoas, onde os extremismos, a destruição e a morte são notícia  de todos os dias, é nas outras espécies, entre animais considerados inimigos entre si, que pode ainda ver-se cenas de ternura e de amor como aquelas que se reproduzem nestas imagens. Para vergonha nossa, que nos dizemos civilizados.   

 

                    O SABER DA EXPERIÊNCIA

 

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A MULHER POVEIRA

          O conjunto escultórico dedicado às mulheres poveiras, implantado no

arranjo urbanístico da marginal Sul, é, sem dúvida, o mais procurado por quem visita a Póvoa de Varzim. O expressivo trabalho de Jaime Azinheira já deve ter ultrapassado as fronteiras mais imprevisíveis. Não há turista que não pose junto à mulher do peixe e nenhum grupo de banhistas, indiferente à idade e estrato social, que não abrace a pescadeira de seios abonados. Também é vulgar ver-se um casal encavalitar o seu filho na musculosa figura da frente e até já virou moda a tradicional fotografia de noivos junto ao monumento. Foi esta obra, sem dúvida, um motivo escolhido na perfeição para a marginal do porto de pesca, uma criação feliz dum escultor que passou parte da sua vida académica na Póvoa, pese a discussão absurda do peixe pendurado pelo rabo ou pela boca. Estão ali retratadas, em formas vigorosas, ombros largos, pernas e braços hercúleos, as mulheres do pescador poveiro, verdadeiras heroínas no peculiar mundo piscatório. Admirando a "força" das suas personagens e espaço envolvente, reconhece que o monumento não só dignifica a cidade como enaltece a mulher poveira. O seu traço, volume e forma, faz lembrar trabalhos de Manuel Ribeiro de Pavia, um dos maiores valores do neo-realismo português, artista entretanto já desaparecido

          Na comunidade piscatória, a esposa é a peça fundamental na família do pescador. Para além de dona de casa, compete-lhe a sua administração, a melhor aplicação dos bens e capitais, a educação dos filhos, o apertado controlo dos gastos do marido e a divisão dos ganhos do seu barco. Nas normas e preceitos da classe, os parâmetros do casal estão bem definidos: mulher em terra e o homem no mar! Ou então, numa linguagem popular, "na classe piscatória, a mulher... é o homem da casa". Trocado em miúdos, quer dizer que tudo o que se passa em terra firme, cabe única e exclusivamente à mulher,  . . . . . . . . . . . . . . . . .  

 PARA CONTINUAR A LER ESTA CRÓNiCA, CLICAR AQUI


 

JOSÉ DE AZEVEDO nasceu a 1 de Junho de 1935, em Vila do Conde. Desde muito novo que desenvolve intensa actividade na propaganda das coisas poveiras.

Tem-se desdobrado em inúmeras funções de responsabilidade nos campos cultural, jornalístico,  turístico e administrativo.

Tem-se desdobrado em inúmeras funções de responsabilidade nos campos cultural, jornalístico,  turístico e administrativo.

É autor de vários livros sobre a Póvoa e os poveiros.

Presentemente mantém em  “O Comércio da Póvoa”  uma crónica semanal com a designação genérica de “O café da Guia”, em que refere figuras e factos  da nossa Terra. 

PARA CONHECER A BIOGRAFIA COMPLETA DE JOSE DE AZEVEDO, CLICAR AQUI  

 

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publicado por garatujando às 16:25
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Sexta-feira, 20 de Novembro de 2009
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                                 FILHOS DO CORAÇÃO

                                          ou

                    "O INFERNO DE GANA"

 

 A TVI emitiu no passado dia 16 uma reportagem de Alexandra Borges intitulada  “Filhos do coração”..

As imagens passadas naquela reportagem e as palavras que  relatam em directo o que de inaudito se passa no Gana com o tráfico de crianças vendidas pelos próprios pais, para trabalharem em regime de odiosa escravatura, ultrapassa tudo o que de horroroso se passa no mundo em que vivemos.

E porque entendemos que ninguém pode ficar indiferente a uma situação como aquela a que nos foi dado assistir através daquela impressionante reportagem, aqui a deixamos para que aqueles que não tiveram ocasião de a ver, saibam que o inferno existe aqui na Terra: o “Inferno de Gana”.

Resta-nos testemunhar à TVI, e nomeadamente à jornalista Alexandra Borges, a nossa admiração pela coragem de publicar um trabalho de tal  mérito, que enobrece sobremaneira  os seus autores.   

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publicado por garatujando às 18:25
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Quarta-feira, 18 de Novembro de 2009
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AGUARDAR UNS BREVES INSTANTES ENQUANTO O GARATUJANDO CARREGA  

 

                                                A ARTE DE

                                      SIR FRANK DICKESEE

 

              

                                               AN OFFERING

            

                                              THE CONFESSION

 

 

Todos nós hoje nos desabituamos do trabalho de verificar

 

Todos nós hoje nos desabituamos, ou antes nos desembaraçamos alegremente, do penoso trabalho de verificar. É com impressões fluídas que formamos as nossas maciças conclusões. Para julgar em Política o facto mais complexo, largamente nos contentamos com um boato, mal escutado a uma esquina, numa manhã de vento. Para apreciar em Literatura o livro mais profundo, atulhado de ideias novas, que o amor de extensos anos fortemente encadeou—apenas nos basta folhear aqui e além uma página, através do fumo escurecedor do charuto. Principalmente para condenar, a nossa ligeireza é fulminante. Com que soberana facilidade declaramos—«Este é uma besta! Aquele é um maroto!» Para proclamar—«É um génio!» ou «É um santo!» of erecemos uma resistência mais considerada. Mas ainda assim, quando uma boa digestão ou a macia luz dum céu de Maio nos inclinam à benevolência, também concedemos bizarramente, e só com lançar um olhar distraído sobre o eleito, a coroa ou a auréola, e aí empurramos para a popularidade um maganão enfeitado de louros ou nimbado de raios. Assim passamos o nosso bendito dia a estampar rótulos definitivos no dorso dos homens e das coisas. Não há acção individual ou colectiva, personalidade ou obra humana, sobre que não estejamos prontos a promulgar rotundamente uma opinião bojuda E a opinião tem sempre, e apenas, por base aquele pequenino lado do facto, do homem, da obra, que perpassou num relance ante os nossos olhos escorregadios e fortuitos. Por um gesto julgamos um carácter: por um carácter avalliamos um povo.

 

EÇA DE QUEIRÓS 

in

'A Correspondência de Fradique Mendes'

 

 

         

 

         

 

 

                                        O VÍDEO PROIBIDO 

 

O vídeo-clip que vamos ver de seguida, foi-nos enviado pelo nosso querido amigo

Fernando Gonçalves (Nando), acompanhado de seguinte texto:

   

O vídeo é do single de maior sucesso de Michael Jackson no Reino Unido, que

não foi nem "Billie Jean", nem "Beat it", e sim a ecológica "Earth Song", de 1996.

A letra fala de desmatamento, sobrepesca e poluição, e, por um pequeno detalhe, talvez você nunca terá a oportunidade de assistir na televisão.

O Detalhe: "Earth Song" nunca foi lançada como single nos Estados  Unidos ,historicamente o maior poluidor do planeta. Por isso a maioria de nós nunca teve acesso  ao clip. Ou seja, o que não passa nos EUA, não passa no resto do mundo.

Só mostram o que lhes interessa e só assistimos ao que eles querem.

Veja, então, o que os americanos nunca mostraram de Michael Jackson.

Filmado na Africa, Amazonia, Croácia e New York.

Emocionante! “

 

O nosso agradecimento a Fernando Gonçalves

 

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É realmente tempo de nos perguntarmos:

        PARA ONDE CAMINHAMOS NÓS ?

            QUE MUNDO VAMOS LEGAR

               ÁS GERAÇÕES FUTURAS  ?

  

 

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publicado por garatujando às 17:15
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Segunda-feira, 16 de Novembro de 2009
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AGUARDAR UNS BREVES INSTANTES ENQUANTO O GARATUJANDO CARREGA 

              

                             

 

           

           IMAGEM ELABORADA  COM ELEMENTOS ENCONTRADOS NA NET,

                       EXPRESSAMENTE PARA ILUSTRAR ESTE POEMA 

 

                                      PRINCÍPIO DO PRAZER 

 

                               À sua volta os pombos cor de lava

                               nos arabescos pretos do basalto

                               e gente, muita gente que passava

                               e se detinha a olhá-la em sobressalto

 

                               no seu olhar havia uma promessa

                               nos seus quadris dançava um desafio

                               num relance de barco mas sem pressa

                               que fosse ao sol-poente pelo rio

 

                               trazia nos cabelos um perfume

                               a derramar-se em praias de alabastro

                               e um brilho mais sombrio quase lume

                               de fogo-fátuo a coroar um mastro

 

                               seu porte altivo punha à vista o puro

                               princípio do prazer que caminhava

                               carnal e nobre e lúcido e seguro

                               com qualquer coisa de uma orquídea brava

 

                               e nas ruas da baixa pombalina

                               sua blusa encarnada era a bandeira

                               e o grito da revolta na retina

                               de quem fosse atrás dela a vida inteira.

 

VASCO GRAÇA MOURA

In

“Antologia dos sessenta anos”

 

Vasco Graça Moura é escritor, ensaísta e político português. Nasceu no Porto, em 1942, e formou-se em Direito. Em 1999, foi eleito deputado ao Parlamento Europeu, vivendo, desde então, entre Lisboa e Bruxelas. É colaborador de jornais, revistas e de canais de televisão. Tem muitas das suas obras traduzidas para italiano, francês, alemão, sueco e espanhol. Para lá da poesia e da prosa, é autor de numerosos ensaios, alguns deles premiados, e de excelentes traduções literárias. Recebeu diversos prémios nacionais e internacionais.

   

 

 

          

 

          

                   imagens de autores não identificados, obtidas ocasionalmente na Net

 

 

 

                                                      de

                                        MIGUEL TORGA

 

 UM DIA TRISTE 

          Tinha sido um dia triste. Logo pela manhã, às sete, uma chamada para a Rua do Borralho. Febre tifóide. Um caso tão desesperado, que não havia nada a fazer. O desgraçado dum sapateiro. Mulher, quatro filhos e uma perfuração intestinal! Peritonite, intoxicação profunda, o pulso a falhar, – na última.

Tenham paciência...Um silêncio pesado que durou nem ele sabia quanto tempo. Depois, lágrimas, soluços abafados, e esta pergunta estranha:

          –Quanto é, senhor Doutor?

          – Trinta escudos.

A resposta saíra-lhe da boca sem ele dar conta.

          –Faça favor...

Uma nota de vinte e uma moeda de dez. Meteu aquilo ao bolso, e começou a descer as escadas. Ia a pensar: afinal, trinta escudos... mulher... quatro filhos... sapateiro... Ao chegar à porta chovia. E bastou a primeira bátega, tocada pelo vento, bater-lhe em cheio no rosto para que, misteriosa¬mente, se lhe varressem da consciência todos os escrúpulos e, conformado, se apoderasse do «legítimo fruto do seu trabalho». Já não sabia bem se fora a esposa, em casa, ou ele ainda pela rua fora e sempre debaixo de água, que pronunciara a fórmula justificativa, e acrescentara:

          – É triste, mas que se lhe há-de fazer?

Almoçou. A lembrança do sapateiro a agonizar chegava-lhe de vez . . . . . . . .

 

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GAIVOTAS EM TERRA

 

Chove. Ouve-se constantemente o som lúgubre da sirene que anuncia a existência de nevoeiro. O ar está saturado de humidade e a nossa alma está enregelada como o tempo que vai lá fora. "Janeiro bendito", dizia o título da crónica do José de Azevedo. Este, não. O mar está revolto e as gaivotas passeiam-se pela cidade, na Pr. Luís de Camões, como senhorinhas vestidas de cinza e branco, muito sérias, direitas, caminham à nossa frente, fugitivas do temporal que vai lá ao fundo da Av. Santos Graça. Avista-se o mar em turbilhões de espuma. E as gaivotas, serenas, indiferentes à chuva, passeando-se no jardim ...

O cinzentismo do tempo passa para o cinzentismo da vida do país, da crise que atravessa o mundo, passa para o cinzento-negro dos despedimentos nesta aldeia global, da bancarrota de uma ilha que era tão feliz e mergulhou na crise, um trambolhão enorme que põe as pessoas em pânico, revoltadas, desesperadas ... Nós, por cá, todos mal, com os escândalos que vão surgindo, uns atrás dos outros: as falências dos bancos, a corrupção instalada em tantos sectores, o descrédito da justiça e as raivinhas das pessoas que são tão "pequeninas" no pensar ...

Estamos a atravessar tempos muito difíceis com a falta de trabalho para muita gente que se sente válida para exercer uma profissão e não encontra no mercado de trabalho uma oportunidade para orientar a sua vida. As notícias são aterradoras. Fala-se em muitos milhões de pessoas no mundo que já passam fome e os alimentos não chegam a todos. Gerir com sabedoria e prudência os recursos de que dispomos é prioritário para a satisfação das nossas necessidades sem desperdícios.

Na faixa de Gaza as crianças já vão à escola e brincam por entre os escombros das suas casas destruídas pelos bombardeamentos israelitas. Não é cor de rosa a vida dessas crianças privadas de uma infância tranquila e feliz.

Do outro lado do Atlântico há um novo presidente na grande nação americana, no qual se depositam esperanças de melhor entendimento dos problemas mundiais, para que a Humanidade prossiga em direcção a um caminho de maior progresso, a fim de vencermos uma crise global ...

O mau tempo instalou-se no planeta. Gaivotas em terra, temporal' no mundo ...

Dias melhores virão.

 


 

CONCEIÇÃO DA SILVA PINTO,  que assina os seus escritos com o pseudónimo de MARIA DO MAR, nasceu na Póvoa de Varzim a 20 de Fevereiro de 1935.
É oriunda duma  família de nove irmãos que, em exemplar harmonia, comungaram duma vida modesta de trabalho seguindo o exemplo admirável que encontravam na Mãe, de quem Conceição Pinto fala com imensa ternura. 
Frequentou a antiga "Fábrica do Gás" onde completou o seu curso liceal. Pertence, por isso, à geração de estudantes que jocosamente se auto-denominam por "Gasómetros",  e que regularmente confraternizam em almoço  pelo menos uma vez em cada ano.
Feito o Liceu ingressou, no Porto, na Escola do Magistério Primário, à época conhecida por Escola Normal, tendo terminado ali o curso em 1955. Exerceu o magistério durante trinta e sete anos em escolas de vários concelhos. Em 1985 fez-se colaboradora regular de "O Comércio da Póvoa" com crónicas que designa como "os meus salpicos de escrita "através das quais expressa "conceitos, opiniões, saudades e sentimentos vários".  O produto do seu  labor de 25 anos de colaboração no prestigiado e mais antigo  jornal da nossa Terra, acaba de ser editado em livro com o sugestivo título de "Marés", título que a autora justifica afirmando que as suas crónicas
"representam o movimento da vida, os altos e baixos, as alegrias e as tristezas,  o movimento imparável das ondas atraídas pelos astros que regem o universo..."
"Marés" é um livro que resulta num rico repositório de costumes da vida poveira, e de registos que, de algum modo, fazem a história da cidade nestes últimos 25 anos. A  crónica acima foi transcrita desse seu livro.      

 

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publicado por garatujando às 18:30
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Sexta-feira, 13 de Novembro de 2009
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                            DIA DE SÃO MARTINHO
                    PREGADORES, CHOCALHADAS
                                           e
                      QUEIMA DE SÃO MARTINHO
                          (ANTIGAS TRADIÇÕES) 

                

                                             "SÃO MARTINHO E O MENDIGO" 

                                     óleo sobre tela, de El Greco

                                National Gallery of Art, Washington   

 Por tempos idos, muitas eram as situações de perfeita embriaguês que se verificavam no dia de São Martinho na intenção de louvar o santo.

Assim acontecia em Alcains e noutras localidades da Beira Baixa, onde se festejava o São Martinho com os homens a beberem sem conta nem medida.

Mal a noite descia, vinham para a rua grupos de amigos do tinto, do branco, da água-pé e da jeropiga, uns cantando, outros tocando gaitas-de-foles e guitarras. Bebendo, cantando e tocando, em grande algazarra, já fora de horas, galgavam então, quando era caso disso, as escadas e varandas das casas, para melhor serem ouvidos, pregando de lá os populares «sermões de São Martinho». Davam-se vivas ao santo, à videira, aos lavradores e aos amigos, acordavam-se os que não se metiam em tais andanças, e, por vezes, havia desacatos.
Quando o Sol rompia, o espectáculo não deixava de ser insólito: corpos adormecidos junto das portas, roupas num desalinho, garrafões e garrafas estilhaçados, os instrumentos musicais e o livro do sermão abandonados onde calhava, e o sono profundo dos «compadres», cansados da bebida e da noitada.
Este género de manifestação festiva e báquica, era comum e perfeitamente natural, repetindo-se nestes moldes pelo menos até à década de cinquenta, particularmente nas nossas aldeias. Assim acontecia também em Monsanto (mesma região), com os «pregadores de São Martinho», eleitos todos os anos (por vezes os mesmos), a dirigirem-se no seu discurso à «irmandade de São Martinho», sendo eleitos como «mordomos» e «mordomas» os homens e as mulheres que mais frequentemente se embriagavam.
Hoje celebra-se o santo mais moderadamente, embora não deixem de verificar-se alguns excessos, sobretudo nas localidades em que o vinho – independentemente do São Martinho – continua a ter (e antes o não tivesse) grandes amigos.
Ainda por aldeias da Beira Baixa, onde, à semelhança do que acontece por todo o país, São Martinho representa o advogado dos ébrios, era na noite de dez para onze de Novembro que se dava início à tradicional festa de homenagem aos maiores bebedores da terra. Nessa noite, os rapazes das aldeias, munidos de chocalhos que retiravam do gado, dirigiam-se em grupo a casa dos «festeiros de São Martinho» – eleitos sem que para tal tivessem dado o seu consentimento –, entoando cantigas alusivas à ocasião e ao santo, convidando o «festeiro» por eles escolhido a abrir a porta da sua adega.
 
                              
 

Se o convite era aceite, abria-se a porta, bebiam-se uns copos de vinho, de água-pé ou jeropiga, davam-se vivas ao «festeiro», faziam-se as despedidas e o grupo seguia, dirigindo-se às casas dos restantes «festeiros» por si eleitos nessa noite. No caso de algum deles recusar abrir a porta da adega, era contemplado com uma estrondosa «chocalhada», acompanhada da ritual «assuada» (piadas e zombarias), nem sempre bem recebida.

Terminada a primeira ronda, elegiam-se os «festeiros» para o ano seguinte (sempre escolhidos entre os maiores bebedores da terra), seguindo-se nova ronda pela aldeia para os felicitar, aproveitando-se a oportunidade para convidá-los a deixá-los entrar na adega e a provar do seu vinho.
Uma vez que nem todos aceitavam de bom grado a eleição, recusando-se a abrir a porta, repetia-se a ensurdecedora «chocalhada» e a respectiva «assuada», a pôr a nu pecados escondidos. A festança terminava de madrugada, com aqueles que conseguiam, de pé, levar a festa até ao fim.
Noutras aldeias da Beira Baixa, também por tempos distantes, o dia de São Martinho costumava ser celebrado com os rapazes a improvisarem um andor onde colocavam um boneco de palha vestido com roupa velha. Ao som de campainhas e de chocalhos, o andor era levado pelas ruas, enquanto os elementos do cortejo e os acompanhantes que se iam juntando, principalmente a garotada, entoavam cantigas alusivas ao santo, sendo o boneco queimado no final da celebração. A «queima do São Martinho» verificava-se em diversas regiões, embora o ritual, ao longo dos anos tenha caído em desuso.
Consagrado por tradição à abertura nas adegas do vinho novo e da água-pé, o dia de São Martinho reveste-se, entre nós, país vinícola, de um simbolismo ainda marcadamente pagão. Daí, dizer-se, que as festas populares da abertura do vinho novo no mundo pagão grego-romano vieram a ter a sua réplica cristã nas festividades em louvor de São Martinho.
 
SOLEDADE MARTINHO COSTA
Do livro «Festas e Tradições Portuguesas» - Vol. VIII
 

Na vasta obra de  Soledade Martinho Costa - escritora, poeta e jornalista - avultam,  como trabalho de grande fôlego, os oito volumes de "Festas e Tradições Portuguesas", colecção editada pelo  "Círculo dos Leitores", que nos põe em contacto com o que há  mais profundo na tradição portuguesa.

A sua leitura conduz-nos numa digressão fascinante pelo nosso património etnográfico, no  mágico encanto das nossas tradições.   É como que um excitante passeio, mês a mês, ao longo de todo o ano, em  que se nos patenteia  toda a  diversidade dos costumes do nosso povo, do Minho ao Algarve, do litoral às mais remotas aldeias do interior.

Na sua descrição, fluida e amena, rica de pormenores valorizados por copiosa soma de imagens de grande qualidade, .Soledade empenhou toda o sua capacidader de investigação jornalistica para nos proporcionar uma obra única no panorama literário português.

É desse seu valioso repositório cultural e etnográfico que Soledade extrai, de quando em quando, textos e gravuras com que enriquece o seu blog SARRABAL, de onde, com a devida vénia, extraimos este texto e as respectivas imagens. 

 

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publicado por garatujando às 12:25
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Quinta-feira, 12 de Novembro de 2009
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           Imagens encontradas na Net

 

 

Cisne

 

Amei-te? Sim. Doidamente!
Amei-te com esse amor
Que traz vida e foi doente...

À beira de ti, as horas
Não eram horas: paravam.
E, longe de ti, o tempo
Era tempo, infelizmente...

Ai! esse amor que traz vida,
Cor, saúde... e foi doente!

Porém, voltavas e, então,
Os cardos davam camélias,
Os alecrins, açucenas,
As aves, brancos lilases,
E as ruas, todas morenas,
Eram tapetes de flores
Onde havia musgo, apenas...

E, enquanto subia a Lua,
Nas asas do vento brando,
O meu sangue ia passando
Da minha mão para a tua!

Por que te amei?
                           — Ninguém sabe
A causa daquele amor
Que traz vida e foi doente.

Talvez viesse da terra,
Quando a terra lembra a carne.
Talvez viesse da carne
Quando a carne lembra a alma!
Talvez viesse da noite
Quando a noite lembra o dia.

— Talvez viesse de mim.
E da minha poesia...

Pedro Homem de Mello

 in "Adeus"

 

Já vimos demonstrações de poder criativo com a utilização dos mais variados materiais: gelo, areia,  frutas, chocolate, papel, flores, enfim . . .Mas jamais haviamos imaginado que, com cabelo humano se pudesse fazer o que se segue.

 

 

            

             

                      

Realmente não há limites para a imaginação que, aliada ao engenho, nos surpreende com os resultados mais incríveis, nos encantam e, porque não dizer, nos divertem. 

 

                          ADMIREMOS ESTA EXTRAORDINÁRIA

                         GINASTA RUSSA, ALTAMENTE COTADA

                        NO PANORAMA MUNDIAL DA MODALIDADE

##########

##########

             


     

                  

 

                    

O Passado no Presente | 04-11-2009 15:00
 
O mês de Novembro, em pleno Outono, (Outono? Que Outono? verão é que tem sido) não foi muito fértil em acontecimentos, como se verá pela leitura dos semanários locais. Registo, então, o que de mais assinalável me parece.
HÁ 50 ANOS
Dando seguimento a promessas dos governantes, o Laboratório Nacional de Engenharia Civil estava a fazer estudos para a conclusão as obras do porto de pesca, sonho dos pescadores poveiros que tardava em concretizar-se. Foram décadas de persistentes lutas de ilustres poveiros, com destaque para o Dr. Vasques Calafate.
Entrou em ensaios o estúdio da RTP no Monte da Virgem, em V.N.Gaia, com custo de 18 mil contos quantia que faz rir no tempo que corre, em que tudo se mede aos milhões. Por questões de saúde estava eu bem perto dele e por isso fui acompanhando a obra dia a dia. Anos após por lá andei só ou com grupos, fossem o Rancho Poveiro ou os participantes em reconstituições de quadros da vida piscatória local, como o serão, o Santo André das Almas, a romaria e tantas outras presenças em programas gravados ou directos. Foi importante para a divulgação dos usos, costumes, tradições e lendas das nossas gentes.
Com as chuvas pesadas (ou nem por isso) as ruas do bairro norte, Elias Garcia, Latino Coelho e António Graça, ficavam inundadas. Por isso as soleiras das portas eram elevadas ou protegidas por empenas de madeira ou paredes de tijolo, para evitar que a água entrasse pelas casas dentro. Felizmente que com a chamada "requalificação" dos arruamentos tal "praga"  . . . . . . . . . . . . . . . . .
Publicado no PÓVOA SENANÁRIO de 04.11.2009

PARA CONTINUAR A LER ESTA CRÉNICA, CLICAR AQUI     


 ARMANDO MARQUES nasceu na Póvoa de Varzim em 1929.

Foi Chefe do Serviço de Turismo de 1966 a 1987.

Desde 1953 foi colaborador na Imprensa nacional (Diário do Norte, Comércio do Porto, Diário Popular), internacional (El Pueblo Gallego) , especializada (Publituris) e local (Ala-Arriba, Comércio da Póvoa e Póvoa Semanário) , colaborando actualmente neste último ).É agente de viagens   ( medalha de prata de "Mérito Turístico") e Vice-Provedor da Santa Casa da Misericórdia.

 

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publicado por garatujando às 12:20
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Terça-feira, 10 de Novembro de 2009
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AGUARDAR UNS BREVES INSTANTES ENQUANTO O GARATUJANDO CARREGA 

 

 

                            FERNANDO GONÇALVES (NANDO)

                          multifacetado artista poveiro

 

                         

 

Fernando da Silva Gonçalves, filho de !sac Baptista Gonçalves e de Justina Pereira da Silva, nasceu na Rua 31 de Janeiro, a 2 de Fevereiro de 1940. Depois de completada (com distinção) a instrução primária na Es¬cola Pereira Azurar (frente à Lapa), tendo como mestre o conhecido e respeitado professor Ricardo Vieira, com cerca de 10 anos, faz os primei¬ros estudos musicais na Banda Musi¬cal da Póvoa de Varzim, dirigida, na altura, pelo maestro sargento Macedo. Os músicos Horácio e José Silva, foram os primeiros professores dum jovem que, muito cedo, mostrou possuir grande talento. Dois anos depois, oferece 12 retratos de compositores célebres, desenhados por si, que ainda hoje fazem parte do espólio da Banda. Nesse ano de 1952, ainda estudante do Ciclo Preparatório na Escola Comercial e Industrial da Póvoa de Varzim (hoje Escola Secun¬dária Rocha Peixoto), a convite do prof. Luz Correia e com mais alguns colegas com jeito para o desenho, integra-se num Centro Artístico, tendo obtido o primeiro prémio de desenho infantil num concurso internacional realizado no Japão. A revista "Flama", nessa época, faz uma extensa reportagem sobre o acontecimento. No ano seguinte, inscreve-se no concurso "construções na areia", organizado pelo Diário de Noticias, na praia da Póvoa, tendo conquistado o primeiro prémio na categoria dos "mais veIhos". A classe dos "mais novos" foi ganha pelo economista poveiro Miguel Cadilhe, ex-ministro das Finanças e, hoje, figura de prestígio no meio político nacional.

Embalado nesse seu jeito artisti¬co e incentivado pelo professor de desenho, o escultor Lagoa Henriques (com atelier na Praça do Almada, nessa época ), inscreve-se na Escola de Artes Decorativas Soares dos Reis, no Porto, no curso de Pintura, ao mesmo tempo que frequenta o Conservatório de Música, na Classe de Violino. No Conservatório, contou com o apoio do professor poveiro Alberto Gomes, chefe de naipes de violino da Orquestra Sinfónica do Conservatório de Música do Porto. Deve-se a ele os primeiros ensinamentos de violino, passando, mais tarde, para as exigentes lições do célebre mestre e violinista francês Henri Mouton. Durante cinco anos (dos 15 aos 19) faz parte da tocata do Rancho Poveiro, ensaiado pelo seu cunhado Sérgio Ferreira, sendo responsável pelos arranjos musicais, recolhas de letras e músicas populares. É do seu tempo, "O mar enrola na areia", "Limão Verde" e "Ó i ó ai", três êxitos do primeiro disco gravado pelo grupo folclórico. Nas exibições do Rancho, tanto no país como no estrangeiro, Fernando Gonçalves dava nas vistas pela sua comunicabilidade, destreza, simpatia e virtuosismo. Ele brincava com o violino, extraindo sons incríveis, fazendo as delicias de quem o ouvia.

Magnífico painel de azulejos da autoria do "Nando", situado na área do porto de pesca.
Obra de inegável valor artístico, que é ao mesmo tempo um repositório histórico da Póvoa, com os seus quadros mostrando aspectos da antiga vila, cenas da vida dos pescadores com as suas alegrias e as suas tragédias, retratos de pessoas que pelo seu valor fazem parte da nossa memória colectiva.

 

A partir de 1958, faz um percurso profissional pela publicidade, artes gráficas e decoração. Faz ilustrações para uma fábrica de meias de nylon e acaba por fixar-se como desenhador dos famosos tapetes Beiriz, sendo o autor de algumas matrizes que percorrem o mundo embelezando ricos edifícios e sumptuosos palácios. Desenha música (musicografia), para editoras, faz medalhística e executa trabalhos a óleo, pastel e panos de jogo para casinos.

 No auge da sua criação é chamado para cumprir o serviço militar obrigatório, primeiro em Mafra, onde faz a recruta, e depois nos Caçadores Especiais, em Lamego, tempo que aproveita para fazer ilustrações destinadas à instrução militar.

 

 O ZÉ DA FISGA

O serviço militar leva-o até Cabinda, Angola, em tempo de guerra. Para matar o tempo, dando continuidade à sua veia artística, envia para o jornal "Notícia", de Luanda, uma figura humorística que se havia de tornar num êxito espectacular. A figura, uma caricatura a cores assinada com o pseudónimo de "Nando", que ocupava uma página inteira, chamava-se o "Zé da Fisga" e pretendia "gozar" com situações e figuras da actualidade. Levado pelo sucesso do "cartoon" até Luanda, aí se manteve 13 anos. Montou atelier de desenho, artes gráficas e publicidade. Faz, em estúdio, um filme de desenhos animados que acabou por ser exibido, há meia dúzia de anos atrás, no festival "Cinanima" de Espinho". Para além de desenhador, Fernando Gonçalves fez parte, como violinista, da Orquestra de Salão do Instituto de Angola e de várias orquestras ligeiras. Artista multiforme, no segredo dos Deuses, faz trabalhos para a UNITA e para o MPLA, duas forças com políticas opostas. Durante o seu percurso profissional, em Angola, vence prémios com cartazes de grandes empresas angolanas. Rejeita convites para a TV da África do Sul e Venezuela. Torna-se um artista conhecido e prestigiado. Para além de retratos e caricaturas, faz banda desenhada, pintura, cenografia, azulejaria, vitrais e gravação.

Como a situação política se agravasse em Angola, em 1975 regressa definitivamente a Portugal.

 

PINTOR, ESCULTOR E MÚSICO

Regressado a casa, Fernando Gon¬çalves resolve aperfeiçoar-se em Paris, frequentar cursos de cerâmica, aprender novas técnicas e lidar com novos materiais. De volta à sua Póvoa, faz trabalhos de cenografia e pintura para a empresa poveira "Sopete", concessionária do Casino, onde chega a actuar a solo, tocando violino nos jantares-concerto. Anos depois, torna-se trabalhador independente. Abre o seu atelier na Almirante Reis e concretiza o seu sonho de artista. Faz trabalhos de escultura (Santos Graça, Tomé de Sousa, Monsenhor Manuel Amorim, Dr.Corino de Andrade, Ramalho Eanes, Jacques Chirac e Rotunda das Freguesias, entre outras obras), retratos a óleo (eng° Lima Pereira, Arcebispo D. Eurico Nogueira, Paul Harris, fundador do Rotary Internacional, José Régio, Sá Carneiro, Silva Pereira, Macedo Vieira, família Quintas e fam1ia Violas e dr. José Trovão, entre muitos outros), vitrais da Igreja das Dores (Póvoa de Varzim) e São Paulo (Brasil), um sem-número de trabalhos em azulejaria, medalhística, caricaturas, cenários, pinturas em pano e vidro, mosaicos, escultura, trabalhos de impressão e gravação. Semanalmente toca violino a solo nos jantares-concerto do Casino de Espinho. Convidado pela Mesa da Santa Casa da Misericórdia da Póvoa de Varzim para uma exposição de caricaturas, desenho e pintura, no ano passado, aquando das comemorações dos 250 anos daquela instituição. Embora pouco divulgada, a referida exposição, que foi um êxito,  mostrou todo o talento do  artista . As caricaturas de figuras da sociedade local foram objecto dos comentários mais elogiosos.

 

   

 Placas toponímicas das avenidas e ruas da cidade, valiosos trabalhos que ficam a atestar através de toda a cidade o talento deste poveiro de eleição.


Créditos:

O texto deste posted foi, na sua quase totalidade, transcrito da crónica de Jose de Azevedo, "A ARTE DO NANDO", publicada em "O Comércio da Póvoa" de 03.07.2008

 

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publicado por garatujando às 09:45
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Sábado, 7 de Novembro de 2009
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AGUARDAR UNS BREVES INSTANTES ENQUANTO O GARATUJANDO CARREGA 

 

                                              A ARTE DE

                                   ALFREDO RODRIGUEZ

 

           

          

          

 

Nascido em 1954, em Tepic, no México, Alfredo Rodriguez é um dos melhores, se não mesmo o melhor, dos artistas que têm pintado  a vida nas montanhas.  Cenas do quotidiano dos índios e dos garimpeiros,  bem como a paisagem grandiosa da America,  são seus  temas preferidos. 

Usando de uma técnica notável, a sua pintura revela um cromatismo  surpreendente e o seu desenho é da máxima perfeição. Os seus trabalhos, que se  caracterizam pela vida e cor que os animam estão presentes em importantes museus e colecções particulares, e são referidos em muitos livros e outras publicações.

Ao atentarmos nas cenas  da vida dos índios representa na sua obra,  vem-nos à lembrança a saga desses antigos povos da América, sacrificados pela colonização dos brancos.

Calcula-se que antes da descoberta da América pelos navegadores que ali se estabeleceram, os povos existentes no norte daquele continente, contariam um número superior a cinco milhões de indivíduos. No fim do século XIX eles já não atingiam  250.000. No mesmo período de tempo a população branca dos Estados Unidos cresceu até  75 milhões. Os brancos usurparam aos nativos os territórios que eles possuiam  desde há muitos séculos e destruíram as suas tradições e o seu modo de vida, privando-os dos terrenos de caça e dizimando, de maneira consciente, os búfalos que eram um dos pilares da sua subsistência.

Os Indios que sobreviveram ao genicídio foram,  na década do 1830, confinados às  chamadas reservas, onde constituem motivo de curiosidade turística.

Dos numerosos tratados de paz assinados com as tribos Indias, nenhum foi respeitado pelos diferentes governos dos brancos.

 

VALE A PENA VER MAIS ALGUNS QUADROS DESTE NOTÁVEL ARTISTA

 

      SILENCIAR A MÚSICA DE FUNDO DO GARATUJANDO

#######

 

#######

         

 

 

                                   SCHOPENHAUER

 

Distância e Longa Ausência Prejudicam Qualquer Amizade

Distância e longa ausência prejudicam qualquer amizade, por mais desgostoso que seja admiti-lo. As pessoas que não vemos, mesmo os amigos mais queridos, aos poucos se evaporam no decurso do tempo até ao estado de noções abstractas, e o nosso interesse por elas torna-se cada vez mais racional, de tradição. Por outro lado, conservamos interesse vivo e profundo por aqueles que temos diante dos olhos, nem que sejam apenas os animais de estimação. Tão presa aos sentidos é a natureza humana. Por isso, aqui também são sábias as palavras de Goethe: O tempo presente é um deus poderoso.
Os amigos da casa são chamados assim com justeza, pois são amigos mais da casa do que do dono, portanto, assemelham-se antes aos gatos do que aos cães.

Os amigos dizem-se sinceros; os inimigos o são. Sendo assim, deveríamos usar a censura destes para nosso autoconhecimento, como se fosse um remédio amargo.

Os amigos são raros na necessidade? Não, pelo contrário! Mal fazemos amizade com alguém, e logo ele estará em dificuldade, pedindo dinheiro emprestado

in

Aforismos para a Sabedoria de Vida'

 

ARTHUR SCHOPENHAUER

Filósofo alemão (1788-1860) nascido em Danzing (actual Gdansk, na Polónia) e falecido em Frankfurt. É conhecido como o filósofo do pessimismo. Tornou-se essencialmente importante como representante da doutrina metafísica numa reacção imediata contra o idealismo hegeliano. A sua obra influenciou mais tarde os filósofos existencialistas e a psicologia freudiana. Em 1819 publica o seu grande trabalho O Mundo como Vontade e Representação (Die Welt als Wille und Vorstellung) , onde expôs uma visão pessimista e ateísta do mundo.

 

   

Alma Serena

Alma serena, a consciência pura,
assim eu quero a vida que me resta.
Saudade não é dor nem amargura,
dilui-se ao longe a derradeira festa.

Não me tentam as rotas da aventura,
agora sei que a minha estrada é esta:
difícil de subir, áspera e dura,
mas branca a urze, de oiro puro a giesta.

Assim meu canto fácil de entender,
como chuva a cair, planta a nascer,
como raiz na terra, água corrente.

Tão fácil o difícil verso obscuro!
Eu não canto, porém, atrás dum muro,
eu canto ao sol e para toda a gente
.

FERNANDA DE CASTRO

 in "Ronda das Horas Lentas"

 

 

Romancista, poeta e conferencista portuguesa, conhecida pelo seu nome de solteira, com vasta e diversificada obra, escreveu poesia, literatura infantil, romance e memórias. Filha de um oficial da Marinha ficou órfã de mãe aos doze anos. Estudou em Portimão, Figueira da Foz e Lisboa, tendo frequentado, nesta cidade, os Liceus D. Maria Pia e Passos Manuel. Começou por escrever livros infantis com sucesso nomeadamente "Mariazinha em África", 1926; "A Princesa dos Sete Castelos" e "As Novas Aventuras de Mariazinha", 1935. Conheceu África que transmitiu com talento nos seus livros. Casada com António Ferro, jornalista e homem forte do regime de Salazar, promoveu a cultura no país e estrangeiro em importantes exposições. Criou e desenvolveu, nos anos trinta, a Associação Nacional dos Parques Infantis, dadas as suas excelentes relações com as mais altas instâncias governamentais. A sua poesia é francamente inspirada e está de novo a ser divulgada. Destacam-se "Asa no Espaço", 1955; "Poesia I e II", 1969, "Urgente", 1989. David Mourão-Ferreira elogia vivamente a sensualidade feminina dessa poesia. Fernanda de Castro recebeu, em 1969 o Prémio Nacional de Poesia e recebera em 1945 o Prémio Ricardo Malheiros pelo romance "Maria da Lua". Escreveu até praticamente ao fim da vida, embora nos últimos anos a doença a retivesse na cama. Foi avó da escritora Rita Ferro. Escreveu “Ao Fim da Memória: Memórias (1906-1986)”, 1986. 



publicado por garatujando às 18:00
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Quinta-feira, 5 de Novembro de 2009
...

 

 

          

 

       

 

 

A magia, enquanto espectáculo para entretenimento público, não é mais que a criação de ilusão que produz efeitos que se apresentam como inesplicáveis. Tais  efeitos parecem sobrenaturais, pela força do prazer e da satisfação que proporcionam.

Vejamos um exemplo neste vídeo-clip.

  

######### ###########

        

 

 

ASAS DO MEU PENSAMENTO

                                    

                        Nas asas do meu pensamento.
                      Levito
                            Procuro no ser espelhado de cada um
                              O que me transforma e me alimenta
                          Voo na direcção do qle me complementa.
                            Conheço o desconhecido que me atrai
                       Suspiro por um qualquer momento que divago
                         Aspiro sentimento em tudo o que encontro

                        Ave rara essa que voa sem rumo
                             Rumo talvez encontrado.
                           Num qualquer momento que me apazigua

                                    Ave que pinta.
                                Que paira nas nuvens que encontra
                     Que se delicia no vazio que preenchIndomável ser.
                                Que sou.
                                          Que encontro no sonho
                                           A razão da existência
                             E que na porta entreabert
a
                         Procuro um qualquer ser humano
                                      Rico no pensar.
                                       Rico no sentir
                                         Rico em tudo o que abriga

 RENATA CORREIRA

Poema publicado a 27 de Setembro último,  em "Poesia Portuguesa", blog que, meritoriamente, se dedica  a divulgar os nossos poetas, patrocinando nomeadamente, o aparecimento de novos valores

Renata Pereira Correia nasceu em Oliveira de Azeméis em 1980. Profissionalmente ligada à área da Animação Sociocultural e da Educação, sempre teve uma forte ligação com a actividade artística, nomeadamente com a escrita, através da qual buscava, desde jovem, as respostas a muitas perguntas prementes do mundo global. Colabora em alguns sites de poesia e de literatura, fazendo nomeadamente parte de um clube literário online, participa em blogs de outros escritores, e com os seus poemas dá voz a fotos captadas por fotógrafos amadores e profissionais. No sentir desta poetisa, o mundo é como uma claquete de realização de filmes, onde a ficção está representada pela própria irrealidade do mundo ser uma espécie de ensaio global que regista as várias tentativas dos ensaios individuais que vai vivenciando. Mundo esse ladeado por abismos que reflectem os contratempos e dificuldades que vão surgindo no percurso evolutivo de aprendizagem e crescimento, na demanda do sonho, em direcção a uma luz imensa e profunda que vai clareando a cada novo ensaio, a cada nova descoberta, que a faz crescer como ser humano. Na sua genuína alma, anseia pelo encontro com a luz no final de cada percurso. Transpondo para as suas ingénitas palavras aquilo que vê, sente e decifra, procura sempre reencontrar a serenidade e o equilíbrio. 

Renata  Correia apresentou recentemente nesta cidade, na sede de  "A Filantrópica", o seu primeiro livro “Ensaios de Ficção”.

 

 

           

 

           


 

                        

 

                    CLUBE DESPORTIVO DA PÓVOA                         

                           DECIDIDA A MUDANÇA DAS INSTALAÇÕES 

 

                                                   

 

Os 63 sócios presentes na Assembleia-Geral Extraordinária realizada no passado dia 23 de Outubro na sede do clube aprovaram por maioria o modelo de desenvolvimento estratégico elaborado e proposta pela actual Direcção, o qual propõe a transferência/ ampliação das actuais instalações do clube para o Parque da Cidade da Póvoa de Varzim e o consequente alienação dos imóveis onde se encontram as actuais instalações do clube, bem como sobre a necessária aquisição de terrenos no Parque da Cidade da Póvoa de Varzim para a edificação das novas instalações.

 

                             

 

                                                    FEIJOADA

 

                        

Para a preparar faça um refogado com azeite e a cebola picada. Deixe apurar e coloque tomate sem pele e cortado aos pedaços. De seguida, acrescente a dobrada e deixe estufar o tempo necessário até esta ficar tenra. Acrescente cenoura, uma folha de louro, um ramo de salsa, um chouriço de colorau e um chouriço de vinho. Após quinze minutos junte o feijão, já previamente cozinhado.    

 

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publicado por garatujando às 17:05
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