Sexta-feira, 28 de Fevereiro de 2014
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AOS NOSSOS AMIGOS, LEITORES E COLABORADORES,

 

COMUNICAMOS QUE, APÓS ESTE LONGO PERÍODO DE AUSÊNCIA A QUE,  POR MOTIVOS DE FORÇA MAIOR, NOS VIMOS OBRIGADOS, ESPERAMOS PODER REINICIAR MUITO EM BREVE A EDIÇÃO DO  GARATUJANDO.

 

 

 

 



publicado por garatujando às 12:27
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Terça-feira, 31 de Dezembro de 2013
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Os textos do Garatujando são redigidos em profundo desacordo e intencional desrespeito pelo novo Acordo Ortográfico.

 

 

 

 

    

                                  JULIÃO NETO                               

                    

                             

                           

 

  Julião Neto, é o mais constante e mais prestimoso colaborador do Garatujando.

  De nome completo Julião Maio Gonçalves Neto, é poveiro (e filho de poveiros) aqui nascido em 1943.

  Com 14 anos de idade (1957)  foi para o Brasil . Em 1967 foi viver para a África do Sul, voltando para o Brasil em 1976.

   Em toda a sua vida profissional  exerceu as funções  de ourives cravador.  

   Quarenta e seis anos num acumular de experiência  que fez dele um verdadeiro Mestre.

   Distinguiu-se entre o demais pela perfeição e produtividade do seu trabalho. Era frequente crevar 300 diamentes num só dia, performance notável naquela especialidade.

   De volta à sua Terra Natal, com 43 anos de idade, uma joalharia de renome  com grande número de empregados situada em Pevidém, aproveitou a sua vasta  experiência atribuindo-lhe as funções de monitor com o encargo de formar novos operários e  reciclar outros ensinando-lhes mais avançados processos da sua arte..

   Posteriormente, aqui na nossa cidade exerceu por algum tempo  as mesmas funções em cursos promovidos pela Cooperativa “A Filantrópica”, a título meramente gratuito.

   Criou um grupo de pressão designado “Associação Poveira dos Amigos da Praia”, que junto da Capitania do Porto conseguiu regras para utilização do areal poveiro contrariando a arbitrária exclusividade dos banheiros que não permitiam o uso de guardasois ou para-ventos nas áreas da sua concessão a quem não tivesse barraca alugada;  os naturais da cidade estavam, assim impedidos de beneficiar da nossa praia 

  Homem inteligente, estudioso e sempre  interessado por novas actividades, passou a dedicar-se à Informática,   E também neste campo Julião Neto, com  perseverante estudo, conseguiu notáveis conhecimentos que generosamente partilha com o Garatujando, principalemnte os diaporamas que muito enriquecem o blog.

  A propósito da quadra festiva que atravessamos criou alguns elaborados motivos que envia aos seus muitos Amigos e aqui reproduzimos:  

 



publicado por garatujando às 22:10
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Quarta-feira, 18 de Dezembro de 2013
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 Os textos do Garatujando são redigidos em profundo desacordo e intencional desrespeito pelo novo Acordo Ortográfico

 

 

 

 

 

 

                           OFERTA DO PAI NATAL

 

 No âmbito da quadra festiva, o  nosso Amigo e colaborador do Garatujando Armando Marques enviou-nos o curioso  diaporama que vamos ver de seguida:

 

 

.        SILENCIAR A MÚSICA DE FUNDO DO GARATUJANDO

          REGULE O VOLUME DE SOM DA SEU EQUIPAMENTO

 

                                                  

                                        CLICAR NESTA IMAGEM

 

 

 

 

 



publicado por garatujando às 08:45
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Segunda-feira, 16 de Dezembro de 2013
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publicado por garatujando às 09:40
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Sábado, 14 de Dezembro de 2013
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                                            ARTE RUSSA

O diaporama que se segue mostra-nos imagens de vários tabuleiros com artísticos motivos pintados a laca.

          SILENCIAR A MÚSICA DE FUNDO DO GARATUJANDO

                                     VER EM ECRÃ COMPLETO   

                                  Agradecimento a JULIÃO NETO, pela partilha

 

 

                                                         de

                                  CARLOS FERREIRA

 

TUDO PODE ACONTECER

 

Assim airosa, elegante
caminhando levemente,
de cabeleira ondulante,
caindo suavemente
sobre os ombros delicados,
de blusa transparente
toda rendinhas e folhos,
de quadris delineados

que eram o encanto dos olhos
calça justa aveludada,
de sugestivo cós alto,
cintura fina apertada,
sapato de meio salto,
no seu passinho apressado,
a figura que eu seguia,
era um verdadeiro tratado
de anatomia.

 

Quis então avaliar,
se a frente correspondia
ao que se via por trás;
apressei o meu andar,
pus-me a caminhar mais lesto,
para ver se era capaz,
furtiva, discretamente,
poder ver pela frente,
olhando o rosto e o resto.

 

Olhei; efectivamente

vi o que pretendia ver.
mas não sei como dizer
a desilusão que tive,
pois apesar de saber,
que no mundo em que se vive,
tudo pode acontecer,
não podia acreditar,
que aquela esbelta figura,
de silhueta tão pura,
não era moça afinal
- rio ainda ao pensar nisto -
era um jovem singular,
com ar todo virginal,
de doce e lânguido olhar,
e barbas à Jesus Cristo.

 

CARLOS FERREIRA  

 

 

 

 

                                        fotos de flores de

                                    LUIZA GELTS

                                     

                                               

LUIZA GELTS é uma artista do leste europeu, possuidora de grande sensibilidade para a  pintura e  para a fotografia.  O  vídeo-clip que se segue, mostra-nos arranjos  em que predominam as flores,  de que resulta a sucessão dos  belos diapositivos  que vamos apreciar:

 

                                        Agradecimento a Julião Neto, pela partilha

 

 

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publicado por garatujando às 16:00
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Quinta-feira, 12 de Dezembro de 2013
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                           A ADMIRÁVEL ARTE CHINESA

A China tem a mais longa tradição cultural do mundo, com uma história contínua de mais de 3.000 anos. A cultura chinesa conheceu uma notável longevidade e expansão geográfica que remonta pelo menos ao terceiro milênio a.C., altura em que este povo se concentrava na região do Rio Amarelo. A periodização da civilização chinesa foi estabelecida através das diferentes dinastias que governaram a nação, desde as precursoras Shang (1650 a.C.-1027 a.C.), cujas produções culturais se enquadram no período do bronze e Zhou (1027 a.C.-256 a.C.). Foi durante a época Tang (618-907 d. C.) que o país atingiu a maior dimensão territorial de toda a sua história. Seguiram-se a Época Sung (960-1279), a dinastia Ming

(1368-1644) e o período Qing ou Manchu, que correspondeu à última dinastia imperial (1644-1911).
Caracterizada pela serenidade e permanência das formas expressivas e pela rigidez de valores estéticos, a cultura chinesa procurou sempre, através das suas realizações artísticas a harmonia com o universo. Com a abertura da cultura chinesa ao exterior, verificada durante a dinastia Ching tornou-se evidente, em paralelo com a exportação de artefatos artísticos para todo o mundo ocidental, a apropriação pela China de outras linguagens estéticas.
   A arte chinesa é significativa não apenas pela beleza, mas também porque foi a maior fonte de inspiração para todo o Oriente - Japão, Coreia, Tibete, Mongólia, Indochina e Ásia Central. A Europa também deve à China muitos dos seusmpulsos artísticos, bem como a introdução de variadas técnicas, principalmente na cerâmica e na tecelagem.
   A revolução comunista de 1949 e a criação da República Popular da China sob a liderança de Mao Tsé-Tung introduziram uma incontornável dimensão política em todas as formas de expressão artística. Os movimentos vanguardistas foram banidos e tachados como "formalismo burguês". Por outro lado, a revolução também propiciou o renascimento de formas artísticas ancestrais e ensinou o povo a valorizar suas tradições no campo das artes, o que resultou em valiosa restauração e descoberta de tesouros artísticos do passado, como o folclore, que foi assumido como valioso produto de exportação e importante fonte de rendimentos.
O clip-vídeo que se segue, mostra-nos variadas e ricas expressões da arte chinesa:

        SILENCIAR A MÚSICA DE FUNDO DO GARATUJANDO

 

                                        VER EM ECRÃ COMPLETO     

                                 Agradecimento a JULIÃO NETO, pela partilha

 

 

                                                       de

                                 CARLOS FERREIRA

 

 

PASSOS QUE PASSAM


Nos passos que passam lá fora
de gente que passa apressada
na noite que custa a passar
não oiço os teus passos agora;
são passos que vão na calçada
e passam além sem parar.


sem parar à minha porta,
pois que são passos que passam
de alguém que passa indiferente;
e sendo assim que me importam
as caminhadas que façam
os passos de outra gente ?!

 

 CARLOS FERREIRA

 

                        

                                                       por

                                ARTHUR AZEVEDO  

 

A FIHA DO PATRÃO 
     O comendador Ferreira esteve quase a agarrá-lo pelas orelhas e atirá-lo pela escada abaixo com um pontapé bem aplicado. Pois não! um biltre, um farroupilha, um pobre-diabo sem eira, nem beira, nem ramo de figueira, atrever-se a pedir-lhe a menina em casamento! Era o que faltava! que ele estivesse durante tantos anos a ajuntar dinheiro para encher os bolsos a um valdevinos daquela espécie, dando-lhe a filha ainda por cima, a filha, que era a rapariga mais bonita e mais bem educada de toda a rua de S. Clemente! Boas!
     O comendador Ferreira limitou-se a dar-lhe uma resposta seca e decisiva, um «Não, meu caro senhor» capaz de desanimar o namorado mais decidido ao emprego de todas as astúcias do coração.
     O pobre rapaz saiu atordoado, como se realmente houvesse apanhado o puxão de orelhas e o pontapé, que felizmente não passaram de tímido projeto.
     Na rua, sentindo-se ao ar livre, cobrou ânimo e disse aos seus botões: — Pois há de ser minha, custe o que custar! — Voltou-se, viu numa janela Adosinda, a filha do comendador, que desesperadamente lhe fazia com a cabeça sinais interrogativos. Ele estalou nos dentes a unha do polegar, o que muito claramente queria dizer: — Babau! — e, como eram apenas onze horas, foi dali direitinho espairecer no Derby-Clúb. Era domingo e havia corridas.
     O comendador Ferreira, mal o rapaz desceu a escada, foi para o quarto da filha, e surpreendeu-a a fazer os tais sinais interrogativos. Dizer que ela não apanhou o puxão de orelhas destinado ao . . . . . . . . .

PARA CONTINUAR A LER ESTE CONTO. CLICAR AQUI

 

 

                               CRISTAL DE MURANO

Murano é o nome duma ilha na Lagoa de Veneza, no norte da Itália, na região do Veneto com ceca de 6000 habitants  Dista cerca de 1 km da cidade de Veneza e é famosa por suas fábricas de vidro, especialmente as suas lâmpadas, copos, enfeites e objectos artísticos. Murano  é conhecido mundialmente pela produção artesanal de vidro artístico (sopro). Esta actividade chama à ilha,um grande fluxo de turistas.
São utilizadas várias técnicas para  transformar um pedaço de vidro num objecto artístico Murano. Por exemplo, numa técnica designada  "A ghiaccio", que significa gelo. o vidro quente é imerso em água fria, o que lhe dá  uma superfície finamente rachada.  Várias outras técnicas são ali utilizadas, mas cremos que o que mais interessa aos nossos leitores será apreciar  imagens de várias fases da produção dos diversos de artigos de cristal Murano:

        SILENCIAR A MÚSICA DE FUNDO DO GARATUJANDO

                                       VER EM ECRÃ COMPLETO   

                                      Agradecimento a JULIÃO NETO, pela partilha

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publicado por garatujando às 18:35
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Quarta-feira, 11 de Dezembro de 2013
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                    O NATAL DA MINHA INFÂNCIA

                                 (REPOSIÇÃO)

Das festas litúrgicas calendarizadas pela nossa tradição judaico-cristã, marca sem dúvida lugar muito especial a celebração do Natal.

A quadra propicia um peculiar clima de afectividade e exaltação familiar em termos de se alterarem emoções e comportamentos. Por efeito dum subtil enleamento colectivo, o Natal torna normalmente as pessoas mais receptivas, mais sociáveis e amistosas.

E porque se trata de celebrar o nascimento dum Menino – aureolado pela mística duma origem divina – é nas crianças, que o espírito de Natal mais reflecte a singularidade da data.

Em todos nós, ricos e pobres, perdura pelo tempo fora a recordação dos natais da nossa infância, que a todos são comuns pelo sonho, pela alegria, pela genuinidade das emoções vividas.

Oh! Natal dos meus tempos de criança!

Não havia ainda o pinheiro enfeitado por luzidias bolas e lâmpadas piscando – modernismo importado de nórdicos costumes, que nada nos dizem.

O ponto central das comemorações do Natal era um representativo “Presépio”, construído com a colaboração empenhada e estusiástica das crianças.

Instalado a um canto da sala de refeições, o Presépio – singela e comovente encenação do transcendente acto do nascimento do Cristo Menino - mantinha-se até ao dia de Reis.

 

 

                 

Cândida encenação do lugar onde, segundo a tradição, teria nascido o Menino Jesus, representa, na sua comovente singeleza, o acontecimento que há mais de dois mil anos trouxe à Humanidade a esperança de um mundo melhor.

A sua morfologia era constituída por pequenos montes cobertos de musgo – que na minha região se chama borriço - colhido na humidade dos muros velhos dos caminhos de aldeia.
Um caco de espelho improvisava um pequeno lago.
Naquele bucólico cenário, os caminhos eram de serradura e as casinhas, os pastores e as ovelhinhas, singelas figurinhas de artesanato feitas de barro pintado.
Em lugar de destaque, avultava a cabana onde o Menino dormia nas palhinhas duma manjedoura, aquecido pelo bafo da vaquinha e do burrinho.
Perto zelava a Mãe de Jesus menino, à qual se juntava S.José.
À entrada da cabana, ardia uma reconfortante fogueira: um punhado de pequenas lascas de madeira com a forma de palitos e as extremidades queimadas, eram as achas por entre as quais se via o rubro do lume, simulado por minúscula lâmpadazinha ligada a uma “pilha” e coberta de celofane vermelho.
Uma estrela prateada, que guiara os Reis Magos até ao lugar sagrado da Natividade refulgia por cima da cabana, num firmamento de cartão pintado a azul.

 

Na noite de Natal, o indispensável bacalhau -escolhido pela especial altura das suas postas - acompanhado das batatas e das hortaliças colhidas frescas nos campos próximos, tudo regado com o molho fervido (1) , constituíam o prato forte da refeição tradicional, a Consoada da Família.
Depois, vinha todo o estendal das guloseimas, zelosamente confeccionadas pelas senhoras da casa e avidamente aguardadas pela criançada:
eram as rabanadas, morenas e luzentes pela calda de açúcar que as cobria, era o leite creme com a sua crosta de açúcar torrado, eram os filhós, os sonhos, os formigos, a aletria, os frutos secos – pinhões, figos de saco, amêndoas, avelãs, uvas passas - todo um mundo de tentação, que era um regalo para os olhos, uma delícia para o paladar e, não raras vezes, “a posteriori” um tormento para o organismo.

Seguia-se o bolo-rei, com a sua superfície colorida pela fruta cristalizada e recoberta de açúcar. Era partido em fatias, que se distribuíam por todos. E aí se levantava uma tremenda algazarra, porque a um calhava um brinde, que vinha escondido no meio da massa do bolo, e a outro uma fava, sendo que a esse competia pagar o bolo do próximo natal – teoricamente, claro.

Vinho “fino” – designação que se dava ao Vinho do Porto – e licores, eram o complemento a fechar a refeição.

Iniciava-se nessa altura, uma disputadíssima sessão do jogo “ A rapa a pinhões”.

A rapa, um minúsculo pião de madeira ou de metal, era accionada por impulso dos dedos polegar e indicador. Tinha quatro faces, cada uma dela com uma letra: R T D P.

Cada jogador – que estava antecipadamente munido dum punhado de pinhões - depunha no centro da mesa, uma convencionada quantidade deles.
A rapa, accionada, girava verticalmente sobre o seu eixo. Quando parava, caía por inércia, ficando com um dos lados voltado para cima. A letra contida nessa face, determinava a “sentença”, que cabia ao jogador: R (rapa) = direito a tomar para si todo o monte de pinhões; T (tira) = direito a tirar do monte um número de pinhões, igual ao que lá tinha colocado inicialmente; D (deixa) = não perdia nem ganhava; P (põe) = obrigação de pôr para o monte tantos pinhões quanto os da entrada inicial.

A determinada altura, uma voz forte soava da parte de fora da porta da casa: - “Ból ó num bói ? “ (corruptela fonética de “vai ou não vai?” pronunciada ao jeito do falar da nossa gente).

Era um grupo das “Janeiras”, dos vários que então se formavam para visitar as casas de amigos e conhecidos, a desejar boas-festas. Convidado a entrar, o grupo composto por homens e mulheres de várias idades, tocava com entusiasmo os seus rudimentares instrumentos: pandeiros, ferrinhos, castanholas, bombo e réco-réco (2), enquanto entoava cantigas alusivas à quadra.
A todos eram oferecidas, no fim, guloseimas e bebidas, depois do que, o grupo se despedia para efectuar outras visitas.

E assim, num ambiente alegre, descontraído e festivo, com saborosa refeição e guloseimas fartas, se passava o serão de Natal.

 

Chegava a hora de dormir.
As crianças, já pesadas de sono, a custo se convenciam a deitar-se, na ânsia da manhã seguinte em que muito cedo, num alvoroço comovente, descobriam as prendas, que o Menino Jesus, entrando pela chaminé, depositara amorosamente no sapatinho de cada uma.

No dia seguinte, dia de Natal, havia almoço melhorado, habitualmente de frango.
E à ceia (3) comia-se o que havia restado da consoada.
Do bacalhau, batatas e hortaliça, que haviam sobrado, era feito um refogado bem remexido, a que o azeite, vinagre e uma pitada de pimenta emprestavam novo sabor.
Era a “roupa-velha”, designação que vinha do aproveitamento das sobras.

Eram assim os natais da minha infância.

Não havia os exageros do mercantilismo de agora, sôfrego de lucro, que descamba em cenas publicitárias com repetitivas figuras de Pai Natal e Mãe Natal, em burlescas cenas mais próprias de Carnaval antecipado.
____________________


(1) Molho típico, só usado na minha região, confeccionado com azeite, vinagre, cebola, salsa e colorau, que se serve quando ainda em plena fervura.

(2) Réco-réco é um um singelo instrumento de percursão, constituído por um rectângulo estreito e comprido, de madeira, com um dos seus lados mais longos, serrilhados ao jeito de serrote. Por essa serrilha o tocador passa, vigorosamente, um pedaço de pau ou de cana, o que produz um som semelhante ao causado pela pronúncia do próprio nome do instrumento: “réco-réco.”

(3) Antigamente o nosso povo designava as três principais refeições do dia por: almoco (de manhã), jantar (ao meio dia) e ceia (ao princípio da noite).

 

Texto de Carlos Ferreira

 

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publicado por garatujando às 11:25
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Segunda-feira, 9 de Dezembro de 2013
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                           ESCULTURAS FEITAS EM JADE  

Jade  é uma pedra ornamental muito dura e compacta, variando, na cor, de esbranquiçada a verde-escura. Resulta da associação de dois minerais, a  actinolite e a  jadeíta. A sua designação era aplicada às pedras ornamentais  trazidas  da China e da América central para a Europa. O jade, muito valioso pela sua beleza , é geralmente utilizado em  esculturas  e outros objectos de adorno e de arte  como aqueles cujas imagens vamos ver de seguida: 

 

       SILENCIAR A MÚSICA DE FUNDO DO GARATUJANDO

       NÃO UTILIZAR O RATO; AS IMAGENS CORREM POR SI

                                        VER EM ECRÃ COMPLETO

                                     Agradecimento a JULIÃO NETO, pela partilha

 

                                                      por

                                CARLOS FERREIRA

 

UM PASSEIO AO RIO ALTO

etenho dos meus tempos de criança a lembrança dum passeio de “char-à bancs” em que participei.

Estávamos a 5 de Outubro. Um grupo de amigos resolveu comemorar a data passando o feriado no Rio Alto, sítio na Estela, que é freguesia do concelho da Póvoa de Varzim.

O lugar era, então, muito procurado para a realização de piqueniques por ser muito agradável, com as suas dunas da beira-mar e abundantes pinheiros. Estas árvores, durante a fase do seu crescimento, eram permanentemente fustigadas pelo forte e continuado vento dominante nas longas invernias e, por isso, iam adquirindo formas estranhas.O pinhal, por esse motivo, tinha o seu quê de fantasmagórico, com as árvores de troncos e ramos bizarramente distorcidos.

A proximidade do mar, a areia cálida e macia das dunas, a sombra e o exotismo das árvores, tudo se conjugava para tornar o lugar muito apetecível, principalmente na época calma.
A construção dum parque de campismo e dum campo de golfe obrigou, lamentavelmente, ao derrube das árvores, retirando ao local o atractivo e o encanto que o haviam tornado muito conhecido , embora isso tenha sido, de algum modo, compensado com aquelas mais valias turísticas.

Para o passeio foi contratado o “char-a-bancs” do Tio Francisquinho, figura típica da Póvoa de então, com os seu farto bigode amarelecido pelo tabaco, o volumoso nariz duma suspeita coloração avermelhada e a sua camisa de flanela com desenhos de quadradinhos miúdos e pontas atadas em baixo com um nó, como usavam os cocheiros da época.

O carro tinha, no sentido do comprimento, um banco corrido em cada lado, e uma cobertura de lona que agasalhava os passageiros das inclemências do sol e da impertinência da chuva.
Era tirado por duas pilecas de eficiência duvidosa, a julgar pelo seu aspecto escanzelado, de salientes costelas cobertas apenas pela velha pele de uma baça cor arruçada.

Para dar ao veículo aspecto festivo, condigno com a data que se comemorava, o carro foi engalanado a preceito com folhas de palmeira e, na parte da frente, fixado ao banco de onde, com pulso firme, o Tio Francisquinho comandava as bestas, um comprido pau servia de improvisada haste, no alto da qual foi colocada a bandeira nacional, que assim ficou a drapejar, galhardamente, por sobre a capota do carro, numa republicana e iniludível afirmação de patriotismo.

Arrumadas as cestas do farnel e acautelados os garrafões do indispensável “verde”, instalaram-se os passageiros nos respectivos lugares.
Á voz de comando do Tio Francisquinho, que um forte estalar de chicote acentuou, a festiva embaixada republicana largou à aventura.

Seguiam os viajantes descuidados e foliões como é próprio de quem perspectiva um dia bem passado: uma anedota deste, um dito brejeiro daquele, um aceno divertido para as pessoas que, na estrada, olhavam com curiosidade a ruidosa caravana, assim ia decorrendo a viagem, ao ritmo compassado e sem pressa do trotar das mulas.

Enquanto a estrada era a descer, ou plana, tudo correu muito bem. Era sempre a andar. Como no dizer dum amigo meu ao afirmar convictamente que o seu carro, apesar de velhinho, subia e descia tudo “em prise”

O pior foi quando, já próximo do destino, uma subida, que até nem era muito íngreme, exigiu das alimárias um pouco mais de esforço.

Ou fosse porque as mulas tivessem, nesse dia, acordado já cansadas, ou porque entenderam que não lhes pagavam em palha o que lhes exigiam em esforço, o certo é que, logo no início da subida, as alimárias entraram, decidida e resolutamente, em greve de zelo.

O cocheiro, num louvável desvelo profissional, bem se afadigou em procurar convencer os bichos a cumprirem o seu dever. Qual quê ?! “Daqui não saio, daqui ninguém me tira” como dizia uma cantiga muito em voga na época.

A princípio, o Tio Francisquinho, exigente e firme, fez estalar o seu chicote num aviso ameaçador. Nada.
Depois, o próprio cabo do chicote, em merecido castigo, caiu várias vezes e alternadamente, no lombo da cada uma das alimárias. Nada.
A seguir, mudando de táctica, o Tio Francisquinho, tratando-as carinhosamente pelos nomes, falou-lhes brandamente, chamando-as ao seu dever. Nada.

Já desanimado, desceu o Tio Francisquinho do seu lugar de comando e, ocultando o seu latente nervosismo, foi, com gestos brandos e comedidos, acariciar os focinhos das bestas, no intuito de as convencer a bem.
Com fama de sedutor, chegou mesmo, cheio de boa vontade, a oferecer a cada uma das mulas um torrão de açúcar … que uma delas, num teimoso amuo, recusou, o que o Tio Francisquinho tomou, visivelmente, como ofensa.
Nada a fazer, portanto.

Sem perder o ânimo – que o dia era de alegria – o grupo tomou uma sábia decisão: descemos todos da carruagem, e fomos nós, os passageiros, tomados dum entusiasmo que a boa disposição acalentava, que empurramos, à força, a carroça mais as mulas, ladeira acima. Foi uma espécie de “ala arriba” de opereta. (1)

Vencida a subida, encontramos, lá no cimo, uma “loja de beira de estrada”, cuja localização teria sido inteligentemente escolhida para valer a casos como o nosso.

Foi altura de nos dessedentarmos todos, que todos estávamos, por efeito do calor e do esforço, de goela seca. A mim tocou-me um pirolito, bebida com acentuado sabor a limão, muito apreciada na época, apresentada numa esquisita garrafinha vedada com um berlinde que, com,a pressão de um dedo, se empurrava para baixo a fim de se servir o conteúdo.

Mas o maior proveito daquela providencial paragem foi para as mulas.
Sabedor do seu ofício, o Tio Francisquinho mandou preparar, num avantajado alguidar, uma farta ração de milho amarelo, misturado, generosamente, com vinho verde tinto. “Sopas de burro cansado”, assim se designava a receita.
Foi petisco vivamente apreciado pelas alimárias que, com as forças retemperadas pelo manjar e notoriamente agradecidas, se reconciliaram com o Tio Francisquinho e não deram mais problemas.

 

(1) “Ala arriba” era um acto de esforço comum em que, à força de braço, as pesadas lanchas poveiras eram empurradas, areal acima, sobre suportes de madeira chamados paus-de-varar, a fim de ficarem a salvo das investidas da maré quando os barcos não iam para o mar.
Nesse esforço hercúleo participavam homens e mulheres da pescaria, e mesmo os que, não pertencendo à classe, se propunham ajudar. Hoje em dia, “Ala-arriba” é uma expressão de ânimo e de incitamento usada pelos habitantes da Póvoa.

 

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publicado por garatujando às 14:55
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Domingo, 8 de Dezembro de 2013
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                       ANATOLY-PIATKEVICH

                              pintor figurativo 

Anatoly nasceu em 1969  numa pequena cidade no coração da Bielorrússia, da então  União Soviética. Descendente de artistas, já a  mãe e  a avó se dedicavam à pintura, à música e à literatura. Ainda criança ele foi matriculado na escola de música.  Aos 18 anos, entrou para o exército tendo prestado serviço na Sibéria durante três anos.  Um comandante de batalhão uma vez perguntou, "Quem pode pintar cartazes?" Anatoly ofereceu-se e, assim, iniciou a sua carreira de artista.  Pintava  paisagens e retratos dos oficiais . Após três anos de trabalho duro como um artista no exército, Anatoly foi para Minsk (capital de Belarus), com o objetivo de estudar pintura  tendo sido aceite  na faculdade de artes, Mais tarde, em 1997, Anatoly formou a prestigiada Academia de Arte de Bielorrússia, região que continua a ser o seu lugar favorito para pintar. Anatoly recebeu inúmeros prêmios  e participa em prestigiadas exposições colectivas. Expõe também  individualmente em toda a Rússia e na Europa.

Vejamos imagens de alguns dos seus apreciados quadros:

         SILENCIAR A MÚSICA DE FUNDO DO GARATUJANDO

                                        VER EM ECRÃ COMPLETO   

                                  Agradecimento a JULIÃO NETO, pela partilha

 

 

                                                        de                          

                          CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE

 

AINDA QUE MAL

 

Ainda que mal pergunte,

ainda que mal respondas;

ainda que mal te entenda,

ainda que mal repitas;

ainda que mal insista,

ainda que mal desculpes;

ainda que mal me exprima,

ainda que mal me julgues;

ainda que mal me mostre,

ainda que mal me vejas;

ainda que mal te encare,

ainda que mal te furtes;

ainda que mal te siga,

ainda que mal te voltes;

ainda que mal te ame,

ainda que mal o saibas;

ainda que mal te agarre,

ainda que mal te mates;

ainda assim te pergunto

e me queimando em teu seio,

me salvo e me dano: amor.

 

CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE

 

 

 

                               CANDEEIROS A PETRÓLEO

O candeeiro a petróleo caiu em desuso nos anos 60 em Portugal, mesmo nas aldeias mais remotas, onde a electricidade foi um luxo que tardou a chegar.

Presentemente, seja para poupar a energia eléctrica que a  actual crise económica  aconselha, seja como objecto decorativo, ainda se encontram  recorrentemente candeeiros a petróleo  em muitos lares portugueses

Vejamos imagens de alguns destes úteis e artísticos objectos:

        SILENCIAR A MÚSICA DE FUNDO DO GARATUJANDO

                                        VER EM ECRÃ COMPLETO   

                                     Agradecimento a JULIÃO NETO, pela partilha

 

       CASCAS DE OVOS ARTISTICAMENTE TRABALHADAS

No Diaporama que se segue apreciaremos imagens de cascas de ovos perfuradas de modo a constituirem autentênticos objecetos de arte. São o resultado de imensa paciência, habilidade e sentido artisico:

         SILENCIAR A MÚSICA DE FUNDO DO GARATUJANDO

                                        VER EM ECRÃ COMPLETO   

                                   Agradecimento a JULIÃO NETO, pela partilha

 

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publicado por garatujando às 17:03
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Sexta-feira, 6 de Dezembro de 2013
...

 

                   

                               GIUSEPPE ARCIMBOLDO

GIUSEPPE ARCIMBOLDO natural de  Milão (1527-1593) foi um pintor conhecido pelo seu  estilo maneirista:   rosto humano composto por  imagens de flores, frutas, plantas, animais ou objetos  de modo que o todo tivesse certa semelhança reconhecível pelo motivo do retrato.

Vejamos imagens de alguns dos seus curiosos trabalhos:

 

       SILENCIAR A MÚSICA DE FUNDO DO GARATUJANDO

 

                                        VER EM ECRÃ COMPLETO   

                     Agradecimento a JULIÃO NETO, pela partilha

    

                                                      por

                              VIRGÍLIO FERREIRA

 

 

A PALAVRA MÁGICA

 

Nunca o Silvestre tinha tido uma pega com ninguém. Se às vezes guerreava, com palavras azedas para cá e para lá, era apenas com os fundos da própria consciência. Viúvo, sem filhos, dono de umas leiras herdadas, o que mais parecia inquietá-lo era a maneira de alijar bem depressa os dinheiros das rendas. Semeava tão facilmente as economias, que ninguém via naquilo um sintoma de pena ou de justiça — mesmo da velha —, mas apenas um desejo urgente de comodidade. Dar aliviava. Pregavam-lhe que o Paulino ia logo de casa dele derretê-lo em vinho, que o Carmelo não comprava nada livros ou cadernos ao filho que andava na instrução primária. Silvestre encolhia os ombros, não tinha nada com isso. As moedas rolavam-lhe para dentro da algibeira e com o mesmo impulso fatal rolavam para fora, deixando-lhe, no sítio, a paz.

Ora um domingo, o Silvestre ensarilhou-se, sem querer, numa disputa colérica com o Ramos da Loja. Fora o caso que ao falar-se, no correr da conversa, em trabalhadores e salários, Silvestre deixou cair que, no seu entender, dada a carestia da vida, o trabalho de um homem de enxada não era de forma alguma bem pago. Mas disse-o sem um desejo de discórdia, facilmente, abertamente, com a mesma fatalidade clara de quem inspira e expira. Todavia o Ramos, ferido de espora, atacou de cabeça baixa:

— Que autoridade tem você para falar? Quem lhe encomendou o sermão?

— Homem! — clamava o Silvestre, de mão pacífica no ar. — Calma aí, se faz favor. Falei por falar.

— E a dar-lhe. Burro sou eu em ligar-lhe importância. Sabe lá você . . . . . . . . . .

PARA ONTINUAR A LER ESTE CONTO, CLICAR AQUI

 

 

                ANA MAIA BOBONE  e  RODRIGO FELIX

                                              em                   

                                HORTELÃ MOURISCA

Canção tradicional da Beira Alta que fazia parte do reportório de Amália Rodrigues   interpretada por  Maria Ana Bobone   e  Rodrigo Costa Félix num espectáculo que assinalou a data em que se cumpriam 10 anos do falecimnto da inesquecivel artista.  

 

 

                                            dos arquivos do Garatujando

 

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publicado por garatujando às 14:15
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