AGUADAR UNS BREVES INSTANTES ENQUANTO A GARATUJANDO CARREGA
LIGAR AS SUAS COLUNAS PARA OUVIR A MÚSICA DE FUNDO DO GARATUJANDO
por
MIGUEL MIRANDA
MORFEIA
— Ei, chico, donde bás?
Virei-me na pergunta, e acenei-lhe também:
— Então, Gutierrez, tudo bem?
A sua mão morena espalmou-me o cachaço, com a amizade brusca a estalar-me o pescoço.
— Hombre, ai quanto tiempo...
Rodeei-lhe os ombros com o braço, e desafiei:
— Anda, vamos beber um fininho, pago eu.
Acostamos no Mon Ami, e sorvemos com lentidão a cerveja gelada. Gutierrez era um homem multifacetado, galego de nascimento. Andava à volta duns quarenta e cinco anos, mas o seu rosto moreno de cabelo negro, meio índio, meio cigano, fazia-o parecer mais jovem. Baixote, entroncado e musculoso, era um poço de energia e de surpresas. Tinha a palavra fácil, de voz doce, convincente, olhos negros que se acendiam felizes quando falava. Vivia intensamente todos os pequenos bocados da sua vida, que era repartida por múltiplas e surpreendentes actividades. Em moço, tinha sido embarcadiço. Depois, fizera uma incursão pelo boxe, de que ainda conservava os bíceps poderosos, e o nariz partido. Agora vendia cobertores na feira, e era Pastor Evangélico, tinha uma pequena igreja em Gaia, numa travessa ma- nhosa perto de Soares dos Reis. Dedicava-se à recuperação de toxicodependentes, a fé e o amor eram os segredos da cura. Ajudara muitos jovens a encontrar algum sentido na vida, com o seu dom inato de comunicação, a sua força interior. Era um indivíduo espantoso, simples mas suave, carinhoso. Era pai de uma ranchada de filhos, uns quatro, todos com cara de índio--cigano, como o pai. Gutierrez era doido pelos filhos, estragava-os com mimo, afagava as suas crianças com uma ternura infinita, que ainda sobrava para a sua mulher, Mónica, que também o ajudava na pregação.
Lembrava-se do Zé Maia, o cigano rico do Bairro do Cedro, magro, esquelético, a tremer dentro de um fato italiano verde-cinza, gravata de seda riscada . . . . . . . . .
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Miguel Miranda nasceu no Porto, em 1956. Licenciou-se em medicina em
1979, especializando-se em Medicina Familiar. É membro da Associação Portuguesa de Escritores, da Associação de Escritores de Gaia, da Associação de Jornalistas e Homens de Letras do Porto e do Pen Clube Português. Venceu o Grande prémio do Conto 1996 APE com o livro Contos à Moda do Porto e o Prémio Caminho de Literatura Policial 1997 com o livro: O Estranho Caso do Cadáver Sorridente. Em 2002 recebeu a medalha de ouro de mérito cultural e científico do município de V. N. Gaia. Está representado no Dicionário de Personalidades Portuenses de Século XX - publicado pela Porto Capital da Cultura 2001. Participou em várias colectâneas de contos: Dez Contos com Livro Dentro (Campo das Letras Editores, 2004); Quarenta (Publicações D. Quixote, 2005); Os Melhores Amigos (Texto Editores, 2006). Está traduzido em Itália com a obra Due Avvoltoi Crocifissi nel Cielo (Nonsoloparole Edizioni, 2006).
Os trabalhos que vão ver-se em seguida são, na verdade, singulares pelo género do material utilizado para a sua confecção e pela notável perfeição que evidenciam.
São miniaturas de razoáveis proporções, reproduzindo monumentos e outras construções famosas em todo o mundo. Tudo isso feito apenas com simples palitos.
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Agradecimtentos a JULIÃO NETO pela preciosa colaboração na montagem da "Apresentação"
No mundo imenso que é a Net, é frequente depararmo-nos com ditos, pensamentos, conceitos, opiniões, piadas . . . que nos fazem sorrir pela graça, pelo espírito que revelam. Exemplo, as jocosas apreciações contidas nesta "saborosa" lista em que se refere o procedimento - inconsciente pela força do hábito - das pessoas, quando no uso das modernas tecnologias de comunicação.
TU SABES QUE ESTÁS A FICAR LOUCO
NO SÉCULO XXI QUANDO:
1. Envias um e-mail ou usas o Messenger para conversar com
2. Usas o telemóvel na garagem de casa para pedir a alguém
3. Esquecendo o telemóvel em casa (coisa que não tinhas há
4. Levantas-te pela manhã e quase que ligas o computador antes de tomar o café;
5. Conheces o significado de tb, qd, cmg, mm, dps, ...;
6. Não sabes o preço de um envelope comum;
7. A maioria das piadas que conheces, recebeste por e-mail (e
8. Dizes o nome da tua empresa quando atendes ao telefone
Digitas o '0' para telefonar de tua casa;
10. Vais para o trabalho quando está a amanhecer, voltas para
11. Quando o teu computador para de funcionar, parece que
11. Estás a ler esta lista e a concordar com a cabeça e sorrir;
12. Estás a concordar tão interessado na leitura que nem reparaste que a lista não tem o número 9;
13. Retornaste à lista para verificar se era verdade que faltava
14. E AGORA ESTÁS A RIR DE TI MESMO!!!
15. Já estás a pensar para quem vais enviar esta mensagem;
16. Provavelmente agora vais clicar no botão 'Reencaminhar'...
Feliz modernidade.
(Agradecimento ao meu Amigo Fernando Pegado, pela partilha
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SONETO DO MAIOR AMOR
Maior amor nem mais estranho existe
Que o meu, que não sossega a coisa amada
E quando a sente alegre, fica triste
E se a vê descontente, dá risada.
E que só fica em paz se lhe resiste
O amado coração, e que se agrada
Mais da eterna aventura em que persiste
Que de uma vida mal aventurada.
Louco amor meu, que quando toca, fere
E quando fere vibra, mas prefere
Ferir a fenecer - e vive a esmo
Fiel à sua lei de cada instante
Desassombrado, doido, delirante
Numa paixão de tudo e de si mesmo.
Vinicius de Moraes
Marcus Vinicius da Cruz de Mello Moraes, ou Vinicius de Moraes, (Rio de Janeiro, 19 de outubro de 1913 — Rio de Janeiro, 9 de julho de 1980) foi um diplomata, jornalista, poeta e compositor brasileiro.
Poeta essencialmente lírico, o "poetinha" (como ficou conhecido) notabilizou-se pelos seus sonetos, forma poética que se tornou quase associada ao seu nome. Conhecido por também ser boêmio inveterado, fumante e apreciador do uísque, Vinicius também era conhecido por ser um grande conquistador. O poetinha casou-se por nove vezes ao longo de sua vida.
Sua obra é vasta, passando pela literatura, teatro, cinema e música. No campo musical, o poetinha teve como principais parceiros Tom Jobim, Toquinho, Baden Powell e Carlos Lyra.
fonte WIKIPÉDIA
DANÇA CHINESA

O que vão ver de seguida é ballet executado por profissionais chineses. A dança, duma leveza etérea, o sincronismo da actuação, a subtileza própria dos orientais e o feérico drapejar de coloridas fitas de fino tecido, tudo isto constitui um espectáculo de beleza ímpar que nos encanta os olhos e relaxa o espírito.

Distrito: Guarda
Concelho: Sabugal
Freguesia: Sortelha
Número de habitantes: 240
A povoação assenta num local rochoso de onde se domina todo o Vale do Alto Côa.
O granito é o suporte para todas as edificações desta aldeia histórica, desde as casas ao empedrado das ruas estreitas, passando pelas muralhas do castelo que se ergue a 760 metros de altitude. Este foi mandado reconstruir por D. Sancho II e sofreu vários restauros (nos reinados de D. Dinis, D. Fernando e D. Manuel) depois de alguns tremores de terra que afectaram a sua estrutura.
Sortelha ainda se conserva rodeada de fortes muralhas circulares, que se estendem pelos declives naturais, envolvendo a aldeia como um anel. Na sua urbe destaca-se o recinto da cidadela no cimo de um penhasco mais elevado, com a torre de menagem quadrada ao centro. Daqui abarca-se um amplo horizonte em que se distingue a serra da Malcata e a linha final da serra da Estrela. Além do castelo, são notáveis, igualmente, a igreja matriz do século XIV, dedicada à Virgem das Neves, um conjunto de sepulturas medievais escavadas na rocha e o pelourinho manuelino. Bastante curiosos são as formações graníticas conhecidas como "Pedra do Beijo" e "Cabeça da Velha", dois penedos graníticos com formas invulgares.
Locais de Interesse: Igreja Matriz dedicada a N. Sr.ª das Neves, construída no séc. XIV, com tecto mudéjar e talha barroca, junto ao lado norte desta igreja encontra-se um conjunto de sepulturas medievais escavadas na rocha; Torre de Menagem; Largo do Pelourinho, com pelourinho manuelino; «Pedra do Beijo» e «Cabeça da Velha» dois penedos graníticos com formas curiosas.
VEJAMOS ALGUNS PORMENORES DESTA LINDA ALDEIA DO NOSSO INTERIOR
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CASA DOS POVEIROS
Macedo Vieira, presidente da Câmara da Póvoa de Varzim, deslocou-se no mês passado ao Brasil como convidado da "Casa dos Poveiros" em representação da autarquia, na festa do seu 80º aniversário, a oito de Janeiro. Na sua companhia, seguiu o "Rancho Poveiro" que, numa viagem de saudade, não só encantou os emigrantes na festa do aniversário com modinhas do antigamente corno na missa celebrada pelo poveiro Monsenhor Abílio da Nova, na Igreja de N. Sra. de Copacabana, fez sucesso com cânticos litúrgicos durante a eucaristia.
Para além de figura representativa da cidade, o presidente da Câmara ensaiou um discurso oficial que tinha como objectivo sensibilizar alguns dos, poveiros da veIha-guarda a governarem um "barco que, por falta de tripulação, poderá andar à deriva ou mesmo afundar-se. Tarefa difícil, já que o tempo da emigração poveira para o Brasil foi chão que deu uvas...

Entrada da sede da "Casa dos Poveiros do Rio de Janeiro"
Desde há muitos anos que .o Rio de Janeiro deixou de ser a Terra Prometida ou o Eldorado da juventude da nossa terra. Hoje restam os os emigrantes que montaram arraiais ha cinquenta/sessenta anos para quem o leme da "Casa dos Poveiros” é carga demasiado pesada. Não só pela falta de disponibilidade, com o pela precária saúde ou idade avançada. Para agravar a situação, a escolha é muito limitada. Dos mais antigos, já são poucos os que frequentam a casa com assiduidade, e os filhos, ou netos, pouco conhecem da história da Póvoa. Ou mesmo nada. O frenesim do quotidiano e as muitas solicitações da juventude, não lhes deixa tempo de sobra para administrar a grande nau que é a "Casa dos Poveiros do Rio". Sobram os frequentadores ocasionais, portugueses de outras regiões, ou cidadãos brasileiros que se afeiçoaram ao Palacete da Rua do Bispo. Talvez que a oração . . . . . . . . . . . . .
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JOSÉ DE AZEVEDO nasceu a 1 de Junho de 1935, em Vila do Conde. Desde muito novo que desenvolve intensa actividade na propaganda das coisas poveiras.
Tem-se desdobrado em inúmeras funções de responsabilidade nos campos cultural, jornalístico, turístico e administrativo.
Tem-se desdobrado em inúmeras funções de responsabilidade nos campos cultural, jornalístico, turístico e administrativo.
É autor de vários livros sobre a Póvoa e os poveiros.
Presentemente mantém em “O Comércio da Póvoa” uma crónica semanal com a designação genérica de “O café da Guia”, em que refere figuras e factos da nossa Terra.
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SIMULAÇÃO ESQUEMÁTICA
de um
PARTO NATURAL

NUCLEUS MEDICAL MEDIA é uma empresa norte-americana especializada em animações de carácter médico que demonstram, por imagens esquemáticas destinadas a médicos especialistas, processos evolutivos de fenómenos orgânicos e anatómicos Conta com a maior equipe de pós-graduados animadores médicos no mundo.
Assistamos, em seguida, ao virtual nascimento de uma criança.
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imagem obtida AQUI

´ imagem obtida num diaporama de CHRISTOFER GILBERT - artwork
INVERNO
O Inverno foi difícil. Tive uma gripe que se complicou e durou um mês. Perdi dois amigos. O contabilista fugiu para a Irlanda com o lucro de um ano. Não sei porquê a Irlanda. Estive três dias deitado e depois levantei-me. E depois voltei a deitar-me. Não queria acordar. Não conseguia adormecer. Seria um castigo? Mas de quê? Mas de quem? Tentei várias coisas. Deixei de fumar e de tomar comprimidos e depois voltei a fumar e a tomar comprimidos e nada. É esta a prisão?
André. Chamo-me André. Podem chamar-me assim. Não me conhecem. Vivo aqui há pouco tempo. Mas isso não quer dizer nada. Quer dizer que agora me podem encontrar por aqui. Pinto. É a maneira que tenho de enganar o tempo. Vivo do dinheiro que me chega de uma loja de ferragens que herdei do meu pai. Mas este ano não vai haver dinheiro. O contabilista fugiu com o que havia. Para a Irlanda. Estranho.
O Inverno foi difícil. Dei comigo fechado no escuro a lembrar-me das ave-marias que a minha mãe me ensinou. Mas não tenho a certeza. Não é fácil rezar. O mundo ficou estranho. Tenho perguntado porquê. Pinto. Um traço na tela é um sinal de que estou vivo. Se não fosse isso não sei o que seria. Este ano perdi dois amigos verdadeiros. Ainda vai doer por muito tempo.
É que não tenho mais ninguém e a rapariga estrábica que me serve de modelo diz que se vai embora, que lhe devo dinheiro e que não tenho com que lhe pagar. Um beijo? Minto. Não posso deixar de pintar. O tédio é o meu único inimigo. Esconde-se por debaixo das coisas, espera-me no fim de todos os caminhos, vence-me aos poucos devagarinho. Sem os meus amigos não sei como vai ser. Com os meus amigos eu conseguia ainda adormecer.
Não, não nos zangámos. Não foi assim. Se tivesse . . . . . . . . . . .
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Romancista, contista e cronista e professor de filosofia Pedro José de Carvalho Paixão nasceu em Lisboa, a 7 de Fevereiro de 1956,
Publicou em 1992 o seu primeiro livro de contos, A Noiva Judia, tendo construído, a partir de então, com um labor contínuo (tem já quinze livros publicados) um universo literário denso e original, cujos textos se apoiam num estilo fragmentário, baseado em múltiplas experiências pessoais, com histórias quase sempre amorosas ou, pelo menos, de forte intensidade emocional. Com incursões no romance e na crónica, é no contos que a sua escrita atinge o grau superior de cintilação “O Inverno”, faz parte de Histórias Verdadeiras ( Edição Cotovia, Lisboa, 1994).
A Póvoa de Varzim vai contar com mais duas zonas de águas balneares, passando assim de sete para nove zonas designadas. Desta forma, toda a frente de costa da Póvoa de Varzim passa a estar designada e todas as praias aprovadas para a prática balnear.
É esta a proposta de identificação da Administração da Região Hidrográfica do Norte, que aceitou a inclusão da Zona Urbana Sul I e Zona Urbana Sul II (desde a Praia Redonda/Leixão até à Praia Azul), juntando-se estas às zonas de água balnear da Barranha, da Codixeira, de Paimó, do Quião, da Fragosa, da Lagoa e da Zona Urbana Norte.
Tal significa que entre 15 de Junho e 15 de Setembro, período da época balnear, a qualidade da água de todas estas zonas vai ser monitorizada pela Administração da Região Hidrográfica do Norte e pela Delegação de Saúde, com análises semanais, quinzenais ou mensais.
Depois do processo de consulta pública, que terminou a 2 de Fevereiro, uma comissão técnica elabora agora uma proposta final de identificação que deverá
ser aprovada por Portaria, até 1 de Março.
Este processo de identificação, relativo à gestão da qualidade das águas balneares, decorre anualmente de forma a manter o mesmo número de zonas balneares em 2011, a Póvoa de Varzim tem que cumprir os parâmetros previstos na legislação, no que concerne à qualidade da água.
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STEVE HANKS


Conhecido como um dos melhores aguarelistas contemporâneos, Steve Hanks nasceu em San Diego em 1949. A família transferiu-se para o Novo México quando Steve era ainda adolescente. Seu pai, que foi aviador militar na Marinha, participou na Segunda Guerra Mundial tendo sido condecorado pela acção meritória que desempenhou.
Depois dos primeiros estudos, Steve frequentou a Academia de Belas Artes de San Francisco, onde obteve conhecimentos de arte comercial e desenho. Transferiu-se posteriormente para a Califórnia, onde se matriculou no College of Arts and Crafts, alcançando o grau de Bachelor of Fine Arts.
Especializou-se em pintura de aguarela, notabilizando-se pela excepcional qualidade dos seus trabalhos. Nos seus quadros aprecia-se o detalhe, a cor e o realismo, raros numa arte que não é fácii. Pormenores de luz, transparência de veus, aparência real de tecidos, expressão de rostos e postura de figuras humanas, são trabalhados com elevado grau de perfeição.
Galardoado com o National Watercolor Society Merit Award e com a Medalha de Ouro da Academia Nacional de Arte Ocidental, permanece na lista dos dez maiores artistas americanos eleitos anualmente pelo E.U. Art Magazine.
VER NO PLAYER ABAIXO MAIS TRABALHOS DESTE NOTÁVEL ARTISTA
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RUI ZINK
A FOTOGRAFIA
O telefone tocou, estava Carlos a fazer a barba. Não era preciso uma frase tão comprida. Bastava dizer que estava a fazer a barba, para logo ficar implícito que o telefone tocou. Ou dizer que o telefone tocou, para todos percebermos que o fez quando ele estava a fazer a barba. Para que havemos nós de explicar sempre em demasia as coisas?
Enfim. O telefone tocou, etc., e Carlos lá foi atender. Como sempre, encostou-o à cara antes de se lembrar que a tinha cheia de espuma. Um desenlace cómico desta situação seria ele acabar na casa de banho a fazer a barba com o auscultador do telefone em vez da lâmina, ou, melhor ainda, a fazer a barba ao telefone. Infelizmente, esta história não é cómica.
«Sim?»
«És tu, Carlos? Sabes quem é que está a falar?»
Porque motivo as pessoas usam sempre o telefone para testar a sua popularidade junto de amigos e conhecidos? Não é o tipo de atitude a esperar de adultos, tanta insegurança, e necessidade de afirmação. Mas enfim, Carlos lá passou no teste: era o Luís Franco, um amigo-conhecido de há muitos anos. Desgrenhado, apesar da escassez de cabelo em cima, barba, um bocado chato e implicativo quando bebia. Um amigo, à mesma. As últimas vezes que telefonara era para pedir dinheiro.
«Olha, estou a falar-te por um motivo muito chato. ...................................
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Rui Barreira Zink (Lisboa, 16 de Junho de 1961), escritor e professor universitário português.
É professor na Universidade Nova de Lisboa, onde se licenciou em Estudos Portugueses e obteve o grau de Doutor em Literatura Portuguesa. Leitor de Português na Universidade de Michigan (1989/90).
Autor de vários livros, entre ensaios e ficção, salienta os romances Hotel Lusitano (1987), Apocalipse Nau (1966), O Suplente (1999) e Os Surfistas (2001), e os livros de contos A Realidade Agora a Cores (1988) e Homens-Aranhas (1994), "O Anibaleitor" (2006). Colaborou com a imprensa e fez tradução literária.
Rui Zink recebeu o Prémio do P.E.N. Clube Português, pelo romance Dávida Divina (2005), tem representado o País em eventos como a Bienal de São Paulo, a Feira do Livro de Tóquio ou o Edimburgh Book Festival
fonte WIKIPÉDIA

Foi apresentado na passada Quinta-feira, em conterência.de.imprensa que teve lugar no Salão Nobre da Câmara, o programa de mais uma edição (a 11ª) das "Correntes d'Escritas - Encontro de Escritores de Expressão Ibérica".
Depois da duplicação do número de participantes em 2009, fruto das comemorações do 10º aniversário do encontro, as "Correntes d'Escritas" regressam, este ano, à sua fórmula original, contando com a presença de cerca de 60 escritores.
O evento, que decorrerá entre 24 e 27 de Fevereiro, terã, este ano, duas novidades: a primeira, a cerimónia de atribuição dos prémios de Edição Booktailors/LER, numa parceria com a Booktailors - Consultores Editoriais e a revista LER; e a segunda, através de urna parceria com a Universidade do Porto e o Jornal de Letras, Artes e Ideias para a publicação, neste jornal, da meIhor reportagem sobre a 11ª primeira edição do encontro, a ser elaborada pelos alunos, do curso de Ciências de Comunicação, que acompanharão diariamente as várias sessões.
Na sessão oficial de abertura, a decorrer no dia 24, no Casino da Póvoa de Varzim, recorde-se, serão anunciados os vencedores dos três prémios atribuídos no âmbito do encontro: Prémio Literário Casino da Póvoa, Prémio Literário “Correntes d’Escritas”/Papelaria Locus e prémio Conto Infantil Ilustrado “Correntes d’Escritas”/ Porto Editora.
Será ainda lançada a IX“ revista “Correntes d’Escritas” cujo dossier será dedicado à escritora Agustina Bessa-Luis.
De resto o encontro manterá os moldes habituais, com mesas de debate no Auditório Municipal e nas EB 2,3 e secundárias do concelho, a que se juntarão lançamentos de livros, sessões de poesia e uma feira do livro instalada na Casa de Juventude.
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RETRATO DE AMIGO
Por ti falo. E ninguém sabe. Mas eu digo
meu irmão minha amêndoa meu amigo
meu tropel de ternura minha casa
meu jardim de carência minha asa.
Por ti morro e ninguém pensa. Mas eu sigo
um caminho de nardos empestados
uma intensa e terrífica ternura
rodeado de cardos por muitíssimos lados.
Meu perfume de tudo minha essência
meu lume minha lava meu labéu
como é possível não chegar ao cume
de tão lavado céu?
ARY DOS SANTOS
in 'Fotosgrafias'
O PARQUE DAS NAÇÕES
O Parque das Nações é a designação actual da antiga Zona de Intervenção da Expo, que inclui o local onde foi realizada a Exposição Mundial de 1998 e ainda todas as áreas sob administração da ParqueExpo, S.A. Esta área tornou-se, entretanto, um centro de actividades culturais e um novo bairro da cidade, com perto de 15.000 habitantes (prevendo-se que o total de população seja de 25.000, daqui a poucos anos), com várias instituições culturais e desportivas próprias. O Parque das Nações é actualmente considerado como o bairro mais seguro e mais bem frequentado da cidade de Lisboa.
A sua arquitectura contemporânea, os espaços de convívio e todo o projecto de urbanização e requalificação urbana trouxeram nova dinâmica à zona oriental da cidade de Lisboa que, em 1990, ainda era uma zona industrial. Destacam-se, como exemplos da arquitectura presente no Parque das Nações, as abóbadas das plataformas da Gare do Oriente, de Santiago Calatrava, impondo a sua linha arquitectónica; o Pavilhão de Portugal, do arquitecto português Álvaro Siza Vieira, que tem por entrada uma imponente pala de betão pré-esforçado, que se baseia na ideia de uma folha de papel pousada em dois tijolos, abrindo o espaço à cidade para albergar os diversos eventos que um espaço desta escala acolhe.
O Parque dispõe de um Pavilhão do Conhecimento, um moderno museu de ciência e tecnologia com várias exposições interactivas; um teleférico transporta os visitantes de uma ponta à outra da área da antiga exposição. De referir ainda o Pavilhão Atlântico, a emblemática Torre Vasco da Gama, o edifício mais alto da cidade, o Oceanário de Lisboa, um dos maiores aquários do mundo.
Aproveitando a sua localização geográfica, o parque orgulha-se também da sua moderna marina. A Marina Parque das Nações, apresenta 600 postos de amarração destinados a embarcações de recreio, assim como infra-estruturas, preparadas para acolher grandes eventos da actividade náutica, dispondo para o efeito de um cais de eventos e uma Ponte Cais não só para embarcações de cruzeiro ou históricas de grande porte mas também como área de apoio para eventos em terra. A marina ganha assim uma côr especial, ao estar situada em plena reserva natural do estuário do Tejo .
O Parque das Nações é administrado, actualmente, pela Parque Expo, S.A. A zona pertencente ao Concelho de Lisboa irá ser transferida para a administração da Câmara Municipal de Lisboa no início de 2006. A zona pertencente ao Concelho de Loures ainda não tem data de transferência negociada.
Legalmente, o Parque das Nações divide-se pela freguesia de Santa Maria dos Olivais, no Concelho de Lisboa, e de Moscavide e Sacavém, no Concelho de Loures. Vários sectores da população do Parque e algumas entidades defendem a criação da Freguesia do Oriente, no Concelho de Lisboa, que englobe as três áreas numa só administração, de forma a que o fim da gestão urbana da Parque Expo, S.A. não signifique o retalhar do Parque das Nações.
Existem já várias entidades e organizações com origem na comunidade residente do Parque das Nações, como, por exemplo, o Clube Parque das Nações, a Associação de Moradores e Comerciantes do Parque das Nações, para além de empresas e instituições variadas.
Vejamos alguns aspectos daquela privilegiada zona da nossa capital:
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ORQUESTRA DE ANDRÉ RIEU
e o conjunto feminino
VICTORY, BOND
Este clip-vídeo foi já aqui publicado em 2008.
André Rieu e a sua famosa orquestra têm, como convidado nesta sua apresentação, o conjunto feminino “VICTORY, BOND”
Pelo agrado da música, pela vivacidade contagiante da interpretação, pela irradiante simpatia e -porque não dize-lo ? – pela beleza e glamour dos elementos que integram o conjunto convidado, este vídeo-clip considera-se de excepcional interesse.
Estamos certos que a publicação que agora se repete, será apreciada tanto por quem já teve ocasião de o ver, como por aqueles, muitos, que entretanto se fizeram também nossos leitores.
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André Rieu nasceu em 1949 e, logo desde os 5 anos de idade, começa a ter aulas de violino. Na sua família,
a música estava constantemente presente e a música clássica era a que mais se ouvia em sua casa. Rieu fundou a sua primeira orquestra, em 1978, Maastricht Salon Orchestra, e nove anos mais tarde, começa a formação da sua seguinte (e ainda actual) orquestra, Johann Strauss Orchestra. Só no ano de 1994, André Rieu lança o seu primeiro trabalho discográfico na Holanda, Strauss & Co., que foi um sucesso permanecendo um ano no Top Ten. O tema "Second Waltz" torna-se um super hit. Um ano mais tarde, esta obra é editada também na Alemanha onde também atingiu o Top Ten durante vários meses. Em 1996, André Rieu recebe o prémio World Music Award em Monte Carlo. Ao longo da sua carreira discográfica, os seus diversos discos alcançam sempre um sucesso enorme e o DVD "Songs From My Heart" não será excepção! "Songs From My Heart" é um DVD que inclui um concerto mágico gravado na sua terra natal,
Maastricht, que inclui uma breve introdução feita pelo próprio artista e por Gerd Leers (Major de Maastricht), alguns temas extra, um Behind The Scenes mbourgeois) e uma galeria de fotos.
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RAMALHO ORTIGÃO
NAS MARGENS DO LIMA
(excerto)
Quem nunca veio a Viana, quem não atravessou a linda ponte do caminho-de-ferro, entre o aterro de S. Bento e a risonha aldeia de Darque, tão célebre outrora pelas suas faianças pombalinas; quem não -percorreu a estrada litoral até Caminha, atra¬vés das povoações de Âncora, da Areosa e de Afife; quem não transitou a pé pelos caminhos de uma e da outra margem do rio, por Meadela e Santa Marta, até o pontilhão do Portuzelo rodeado de casais, de moinhos de vento e de rochas em que escachoa a água, límpida e desnevada, através da qual se vêem trepidar e reluzir as trutas; quem não foi e não veio, pela direita e pela esquerda da ribeira, de Viana a Ponte do Lima e de Ponte do Lima a Viana; quem durante alguns dias não viveu e não passeou nesta ridente e amorável região privilegiada das éclogas e das pastorais, não conhece de Portugal a porção de céu e de solo mais vibrantemente viva e alegre, mais luminosa e mais cantante.
Nesta quadra do ano principalmente, na ocasião das colheitas, quando as ceifeiras, de mangas arregaçadas, atravessam os campos, carregadas de feixes de canas maduras; quando o milho começa a a alourar as eiras, e ao longo das planícies ou por detrás dos outeiros, nos pantos onde alvejam casas ou muros de quintas, se ouve a cantiga das esfolhadas, o aspecto do campo ainda virente, inundado de luz, tem o que quer que seja de uma apoteose bucólica, de um idílio rural, por entre cujas estrofes o rio alastra mansamente a pacificação da água.
A natureza parece uma larga festa em toda a bacia do Lima, fechada ao sul pelo biombo de montanhas que principia de leste em Lindoso, na fronteira espanhola, e termina a oeste em Faro de Anha, sabre o porto de Viana.
Dentro de toda esta zona não há grandes proprietários, não há gente muito rica, e não há miséria.
Muitas casas pequenas. Nem uma só casa em ruínas, como na Beira, como no Douro.
Ao longo das estradas, ou nos arruamentos contorcidos das pequenas aldeias, a tenda com a caixa do correio à porta, os bambolins de velas de sebo pendentes do tecto, cintilações amarelas, azuis e brancas de louça vidrada numa prateleira ao fundo, as pequenas tabernas com os pães moletes enfarinhados e pegados uns aos outros em cima do balcão, na padieira das portas, suspensa de um braço de ferro, a tabuleta azul — Bom vinho e comer, o ferrador, o tamanqueiro, o peneireiro, o cesteiro, o bombeiro, a tecedeira, a botica, tudo tem um ar alegre, de camisa lavada, barba feita, carnação sadia, brunida ao sol.
Por detrás do cancelo do quinteiro, no mato fofo das enxidas, por baixo da ramada, ao lado das mais humildes cabanas, vê-se a porca ruça esfoçando a estrumeira, o galo branco cacarejando satisfeito, empoleirado na padiola, na escada de mão encostada à parede do cortelho ou no caniço do carro; e o podengo amarelo, de orelha bicuda, ladra da porta de casa ou de cima do muro, mostrando a quem chega os dentes anavalhados e o grande rabo em ponto de interjeição.
Não há adega, não há despensa, não há fogão de cozinha. A panela preta de barro de Prado ferve solitária sob o testo no pequeno lar enfumarado, à fogueira de cepas e de agulhas de pinheiro, entre os dois escabelos de castanho. Mas há broa em todos os balaios à porta do forno, há toucinho ou há unto, pelo menos, em todas as salgadeiras, há azeitonas no cântaro da salmoeira, há um ovo para botar a cada galinha choca, uma braçada de erva para cada boi, uma côdea para cada cão, uma rasa de milho para cada fornada, uma estriga para cada roca, uma leira para cada enxada.
Clássica Editora
Dezº 1986
José Duarte Ramalho Ortigão (1836 - 1915) escritor português, filho do professor Joaquim da Costa Ramalho Ortigão oriundo duma nobre família do Algarve.
Fez os estudos preparatórios no Porto, e exerceu inicialmente o magistério, leccionando no colégio da Lapa, que seu pai dirigia e no qual lhe sucedeu em 1860
Sentindo uma grande inclinação para as letras, foi escritor, jornalista, bibliotecário da Biblioteca da Ajuda, oficial da secretaria da Academia Real das Ciências,
Na redacção do Jornal do Porto tomou a seu cargo a secção noticiosa e folhetim.
De Ramalho Ortigão diz um dos seus biógrafos:
"... burilador delicioso da frase, o anotador pitoresco e alegre, o crítico austero e delicado, o ironista delicioso e brilhante. Duma grande exuberância de fantasia e conhecendo perfeitamente a sua língua, que maneja com abundância e gosto, Ramalho é um dos escritores mais notáveis da sua geração. A sua prosa elegante, tersa, plástica, cheia de cor e de harmonia, é inconfundível como a sua personalidade."
EXEMPLO QUE NOS CHEGA DE MOÇAMBIQUE
com imaginação e habilidade
conseguem-se resultados inimagináveis


DE UM VELHO CARRO RESGATADO DA SUCATA SE FEZ UM PRESTÁVEL TAXI
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EÇA DE QUEIROZ
UMA CAMPANHA ALEGRE

Publicou-se , há tempo, na Imprensa da Universidade, em Coimbra, um folheto acerca da Comuna.
Bom, ou mau, o folheto foi lido, levemente discutido, totalmente comprado. Era anónimo.
Que há-de acontecer? O Governo proíbe lhe a venda! Só aqui há um mundo revolto de pilhéria. O livro é publicado em Maio ,. esgotado em Junho, e proibido em Julho! A única critica é a gargalhada,!
Nós bem o sabemos: a gargalhada nem ê um raciocínio, nem um sentimento; não cria nada,.destrói tudo, não responde por coisa alguma. E no entanto é o único comentário do mundo politico em Portugal. Um Governo decreta? gargalhada. Reprime? gargalhada. Cai? gargalhada. . E sempre esta politica, liberal ou opressiva, terá em redor dela, sobre ela, envolvendo-a corno a palpitação de asas de uma ave monstruosa, sempre, perpetuamente,.. vibrante, e cruel — a gargalhada!
Política querida, sê o que quiseres, toma todas as atitudes, pensa, ensina, discute; oprime — nós riremos. A tua atmosfera é de chalaça. Tu és filha de um dichote que casou com uma pirueta! Tu és clown! Tu és Fajardo! Se viveres,.rimos! A. oração fúnebre que diremos sobre a tua campa será Ah! ah! ah! - A nota que a teu respeito se lançará na história será —ih! ih! ih. A tua recordação entre os homens será; -- Uh! uh! uh! Oh poder executivo! oh 'Sancho Pança! oh pilhéria! Publicado num mês, esgotado no outro, ,proibido no seguinte! Oh Pátria! Oh cambalhota! Oh Bertoldinho!
Mas corre que o Governo, além de proibir o folheto, vai processar o autor do folheto. Aí, alto! Recolhemos a gargalhada, tiramos do cesto o ferro em brasa.
Processado porquê?
Três coisas fazia o autor anónimo daquele opúsculo:
Explicava a situação e as ideias dos partidos em França; verberava os Srs. Thiers e Jules Favre; defendia alguns actos da comuna e alguns dos seus homens.
Por qual destes três factos é ele processado? Qual determina o estado de criminalidade?
Explicar os partidos em França? Então são seus cúmplices e devem ser processados pelo Governo português:
Todos os jornais, de todas as cores, de todas as cidades;
Todos os deputados, de todas as câmaras, de todas as nações;
Todos os livros, de todas as politicas, de todos os continentes.
É preparar, para toda esta gente, quartos no Limoeiro! Ergue-te e abre, ó Manuel Mendes Enxúndia!
É acusado o autor do folheto por ter verberado os Srs. Thiers e Favre? Que lei lho proíbe? Que regulamento, que portaria, que decreto me inibe, a mim, a ti, a ele, de gritar ern cima das torres que o Sr. Thiers é um imbecil, o Sr. Favre uai traidor, o imperador da Rússia um bebedor de champanhe?! Está o Sr. Thiers elevado à categoria de dogma? É ele equiparado pelo Governo à religião do Estado? Temos o Sr. Thiers inviolável corno Cristo?
Que façam um processo às Farpas, pois nós declaramos isto: - O Sr. Thiers é um sujeito astuto, aproveitável a um país que precise de viver de expedientes, mas perfeitamente inapto para uma nação que tenha de se organizar com ideias; é um político de pequenos meios que já, foi polícia e parteiro.
O Sr. Favre é um bastardo de Robespierre, declamador de tribunal, violentador do poder em 4 de Setembro como radical, e em 18 de Março ministro conservador, personagem característico daquela farsa política; que se chama tira-te tu, para que vá eu!...
E aqui estão estes Adolfo Thiers e Júlio Favre, iguais em inviolabilidade à Sagrada Eucaristia, ou à lmaculada Conceição! E seremos processados, seremos degradados,. se ousarmos vergastar com algumas frases de história as carnes antiquadas das Srs. Adolfo e Júlio!
Mas é acusado o autor do folheto por ter defendido alguns actos da comuna e alguns dos seus homens? Oh! indigna vergonha! Pois é proibido em Portugal ter opinião sobre um facto estrangeiro? Pois a comuna passou-se na nossa política? Foi a Rua do Arco do Bandeira incendiada com, petróleo? Foi o Sr. O. de Vasconcelos que mandou fuzilar o arcebispo de Paris? Pois não pertence a. história ao puro domínio do pensamenito? Pais a própria França não impede que se escrevam livros louvando a comuna, e o Governo português impede-o? Pois o Governo não proíbe que os jornais legitimistas exaltem o absolutismo que prendeu e matou, cortou a machadada nossos pais, sequestrou as nossas casas, queimou as nossas searas, e proíbe que se discutas uma política cujos excessos se passaram a 100 léguas de nós, sem relação connosco, sem acção na nossa acção?! Pois há alguma lei que .me obrigue a amar S. Francisco de Sales e ia desprezar Tibério?! Pois a opinião impõe-se como as posturas da câmara municipal?! Pois haverá cartilha, para as nossas apreciações históricas? Se o Governo proíbe que se exaltem os homens da Comuna, deve logicamente proibir que se exaltem os homens de 93, o Governo provisório de 48, e que admiremos o próprio Sr. Thiers, antigo redactor do Nacional, fautor dia revolução de 30! E que vá mais longe então! Que nos processe, porque nós admiramos os Gracos, Espártaco, salvador de escravos, Moisés que libertou um povo, Cristo que remiu uma raça!
O Governo português pondo a sua tosca mão sobre o pensamento! - Oh! pirueta, dá-lhe tu a recompensa.!
In
“Uma Campanha Alegre”
de “As Farpas”
edição Livros do Brasil
«...0 que caracteriza realmente “Uma Campanha Alegre” é o espírito oposicionista, a sua decisão de apontar os erros e ridículos da sociedade.
O género é o panfleto, mas a sua forma de expressão não é a palavra áspera e dura, e sim o riso. Ele amplia, como processo crítico, as situações sociais e as figuras até aos limites máximos da caricatura para os atingir pelo ridículo. Nenhum sistema, sem dúvida, mais eficiente do que este para exibir o que havia de postiço e de artificial na organização social da época.
Para Eça de Queiroz a arte é essencialmente estilo, construção estética da palavra. Daí não se deve concluir «que tenha sido, em qualquer momento, um artista da palavra, um diletante, um abstencionista. Foi um artista apaixonado pelo destino dos seus semelhantes, voltado, pela curiosidade e pelo sentimento, para os problemas humanos do seu tempo como de todos os tempos»,



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Ode à Paz
Pela verdade, pelo riso, pela luz, pela beleza,
Pelas aves que voam no olhar de uma criança,
Pela limpeza do vento, pelos actos de pureza,
Pela alegria, pelo vinho, pela música, pela dança,
Pela branda melodia do rumor dos regatos,
Pelo fulgor do estio, pelo azul do claro dia,
Pelas flores que esmaltam os campos, pelo sossego dos pastos,
Pela exactidão das rosas, pela Sabedoria,
Pelas pérolas que gotejam dos olhos dos amantes,
Pelos prodígios que são verdadeiros nos sonhos,
Pelo amor, pela liberdade, pelas coisas radiantes,
Pelos aromas maduros de suaves outonos,
Pela futura manhã dos grandes transparentes,
Pelas entranhas maternas e fecundas da terra,
Pelas lágrimas das mães a quem nuvens sangrentas
Arrebatam os filhos para a torpeza da guerra,
Eu te conjuro ó paz, eu te invoco ó benigna,
Ó Santa, ó talismã contra a indústria feroz.
Com tuas mãos que abatem as bandeiras da ira,
Com o teu esconjuro da bomba e do algoz,
Abre as portas da História,
deixa passar a Vida!
Natália Correia,
in "Inéditos (1985/1990)"



ANDRÉ RIEU
e a sua orquestra

ANDRÉ RIEU, de seu nome completo André Léon Marie Nicolas Rieu, violinista e regente de orquestra, nasceu em Maastricht, Holanda, em 1 de Outubro de 1949.
Começou a sua aprendizagem musical com cinco anos de idade, mostrando já um potencial superlativo na prática deste instrumento. No ano de 1967 continua sua formação profissional no Conservatório de Música de Maastricht até o ano de 1973, seguindo-se Bruxelas entre 1974 a 1977. Após concluir seus estudos, conquista o lugar de primeiro violino da orquestra sinfónica de Limburgo, onde permanece até 1987.
Decide então formar sua própria orquestra, a qual deu o nome de Johann Strauss Orchestra.
O sucesso é imediato, e as suas apresentações distinguem-se em várias cidades europeias, principalmente na Alemanha, Bélgica e Holanda. A gravação de discos é consequência lógica e André realiza a proeza de devolver á sua terra natal o gosto da valsa, a seguir outros países da Europa e por fim, em quase todos os países do ocidente.
O seu enorme êxito cifra-se em dez milhões de discos vendidos e uma carreira de sucesso em mais de trinta países.
fonte WIKIPÉDIA
GARATUJANDO apresentou já duas actuações de André Rieu com a sua famosa orquestra.
No vídeo-clip que vão ver em seguida, entra um elemento absolutamente inesperado: Kim Câmara, que actua como primeiro violino.
A singularidade deste artista é ter apenas 3 (três) anos de idade.
Ouçámo-lo.
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PINO DAENI


Numa explicação muito sucinta poderá dizer-se que o Impressionismo, - técnica de pintura que caracteriza as telas de Pino Daeni - consiste na utilização de pinceladas vibrantes, de cores puras, directamente na tela de modo a obter a fusão dos tons nos olhos do expectador em vez de se misturarem na tela. Esta técnica atende menos à forma, como que negando a corporeidade dos objectos, em favor de iluminações e vizinhanças diferentes nos jogos de luz que pretende captar. Liberta-se, assim, da velha noção de claro/escuro, em que se fundamenta a pintura clássica.
O termo Impressionismo ficou a dever-se à irrisão de um jornalista a propósito dum traballho de Monet que fazia parte duma exposição colectiva realizada em Paris em 1874, trabalho esse que autor designou como "Impressão - Sol nascente"
A designação foi aceite pelos expositores, e acabou por difundir-se com a adesão de Manet,, Cézane e Degas.
A arte de Pino elicia sentimentos do calor, da nostalgia, do amor e da família. As suas pinturas têm, freqüentemente, como tema praias vibrantes e ensoladas, típicas do mediterrâneo, onde o artista nasceu - na Itália.
Pino iniciou-se nesta actividade no Instituto de Arte de Bari, Itália, prosseguindo depois os seus estudos na Academia de Milan, de Brera.
Após ter-se estabelecido como um artista bem sucedido em sua terra natal, Pino imigrou para os EUA, procurando mais oportunidades. Foi descoberto pela distinta galeria de Borgui, o que lhe deu a oportunidade de realizar diversas exposições em New York e Boston.
Pino ilustrou 3.000 livros, e o seu estilo dominou o mercado.
Os trabalhos de Pino, fascinam pela sua técnica e pelas suas cores mornas
Pino Daeni nasceu a 8 de Novembro de 1939, em Giuseppe Dangelico, Itália.
A sua biografia consta de um livro de arte de 165 folhas, que contém reproduções das suas pinturas.
Iniciou-se no Instituto de Arte de Bari e, mais tarde, completou os seus estudos na Academia de Brera, de Milão.
Pino especializou-se na arte do nú, e sua obra evidencia forte inluência do pre-rafaelismo e dos mestres italianos do último período do século XVIII.
RAMALHO ORTIGÃO
A MORTE DA ROSINHA
inha amiguinha adorada. — Ontem à noite, enquanto a tua mamã bordava à luz do candeeiro uma touca Inverno para ti, e teu pai fazia paciências, sentado com um dos seus amigos ao canto em que está a mesa de jogo baixo da étagère dos livros bonitos, tinhas-te encostado ao braço da minha poltrona, e ali, ao pé do fogão, depois termos estado a ver todas as figuras da Ilustração Francesa, pediste-me que te contasse uma história.
- Mas uma história verdadeira! acrescentaste, sacudindo para trás os cabelos e pondo em mim os teus olhos, sérios como quando me ralhas e me sacodes, por eu ficar às vezes pensativo e calado a olhar para as faúlhas que deita o lume. Quero uma história triste. As histórias que fazem rir são petas. Hás-de contar-me um conto que me obrigue a cismar como as pessoas crescidas quando principiam a dizer os casos que lhes sucederam.
Foi assim que me falaste, e eu prometi-te, debaixo da minha palavra de honra, que me lembraria hoje da história que tu querias.
Aqui a trago escrita neste papel. Quero regalar-me de ta ouvir ler com a engraçada pronunciazinha dos teus oito anos. Quando as pessoas grandes lêem o que eu escrevo, sorrio por fora, mas não imaginas como estou por dentro, de encanzinação e de birra! Se nunca lhe fazem as pausas nem lhe dão as intenções que eu tinha!... Quando tu lês então sim. Quando tu me gaguejas, me silabas, e até (aqui para nós) me soletras de quando em quando, com a tua voz alegre, vibrante e fina, afigura-se-me ouvir uma revoada de passarinhos, que me dão bicadas no pensamento e me esvoaçam com ele pelos céus.
Rosinha, a dama da minha história, tinha sete anos, era loira como tu, e tinha os olhos ainda maiores e mais azuis. Aquela parte do céu que todas as crianças têm por dentro das suas cabecinhas, e que se lhes desafoga no sorriso e no olhar, saia-lhe a ela unicamente pelos olhos, porque Rosinha, a bem dizer, nunca ria. Vê lá se seriam grandes ou não os olhos de uma pequenita assim!
Era magra, tinha os braços finos e as mãos afiladas e descarnadas como as de uma senhora em ponto pequeno. Chegavam a meter respeito, apesar da sua pequenez, pelo que eram de pálidas e pelas veias azuis que se lhe viam, quando ela as .........
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Ramalho Ortigão (1836-1915) nasceu no Porto, filho do professor Joaquim da Costa Rama lho Ortigão, oriundo duma nobre família do Algarve.
Estudou Direito na Universidade de Coimbra. De regresso ao Porto, dedicou-se ao ensino, dando aulas de Francês no Colégio da Lapa. Estabeleceu-se em Lisboa ao ser nomeado oficial da secretaria da Academia de Ciências, começando a colaborar em vários jornais e revistas. Torna-se amigo de Eça de Queirós e inicia com ele a publicação de As Farpas. Fez várias viagens ao estrangeiro, viagens estas que influenciaram o seu modo de ver Portugal. Obras: Literatura de Hoje (1866), Em Paris (1868), Histórias Cor de Rosa (1870), As Farpas (1871-1884), Banhos de Caldas e Águas Minerais (1875), As Praias de Portugal (1876), Notas de Viagem (1878), A Holanda (1885), John Bull (1887), O Culto da Arte em Portugal (1896), El-Rei D. Carlos o Martirizado (1908), Últimas Farpas (1911-1914).
BOLERO DE RAVEL

Bolero é uma obra musical de um único movimento escrita para orquestra por Maurice Ravel
O pianista-compositor (Ciboure 1875 - Paris 1937) é conhecido sobretudo por esta sua famosa composição, que considerava trivial e classificou como "uma peça para orquestra sem música"
Originalmente composta para Ballet, foi dançada pela primeira vez pela famosa bailarina de nacionalidade russa, Ida Rubinstein.
Mesmo quem não aprecia este tipo de música (erudita, clássica) é sensível aos acordes do Bolero.
Um traço característico da composição é o seu dinamismo num contínuo crescendo que, pela subtileza da sua envolvente melodia, alicia os nossos sentidos.
No clip-video que vão ver em seguida, um par de bailarinos prende-nos pela leveza dos passos, pela expressividade dos rostos, pela inequívova intencionalidade dos gestos na dança que executam.
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O VÍCIO DO CAFÉ
A separata do "Guia das Praias de Portugal" de 1905, referindo-se à Póvoa de Varzim, abria desta maneira: "A Póvoa de Varzim, à primeira vista parece ser o 'Café Chinez'. Ao penetrar-se naqueles muros de xarão e lacas, com as baforadas do tabaco e a tagarelice das pratas recebe-se a impressão de que se o 'Chinez' acabasse, acabaria o mundo para a Póvoa. Um mandarim fecha o 'Chinez, isto é acaba com 'Chinez' pelo menos durante o seu mandarinato, e o mundo poveiro continua a existir, a passar de perfeita saúde, a gozar os seus rendimentos, habitado como bom planeta, requestado que nem a herdeira rica ou emprego público". (Neste parágrafo elogioso da nossa praia, a despontar para a notoriedade nacional, aparece como imagem de marca o célebre Café Chinez, amor de perdição de Camilo Castelo Branco, o prolixo escritor nortenho para quem o pano verde do jogo era um vício e as bailarinas espanholas uma fonte de inspiração.
O PRIMEIRO BOTEQUIM
Contra o que reza a lenda, o primeiro café que abriu na zona balnear da Póvoa foi o Café David, primitivamente conhecido como Botequim do David, propriedade do capitalista David Alves, (pai do Dr. David Alves), falecido a 4 de Maio de 1880 com 60 anos de idade. Inaugurado a 14 de Agosto de 1870 no actual Largo Dr. David Alves (ex-Largo do Rego, depois Largo Café Chinez), estava instalado no rés-do-chão da residência do seu proprietário, onde hoje se encontra o Quiosque Forte e a entrada para as Galerias Euracini. David Alves tinha como sócio Carlos Evaristo Felix da Costa, descendente de uma farnília brasileira que, dezasseis anos depois, saiu da sociedade para se tornar proprietário do Café Chinez que cedo se transformaria na coqueluche da época.
Sem Felix da Costa, o Café David, que apresentava diariamente espectáculos de canto e música, foi..perdendo clientela, acabando por ser trespassado para novo proprietário que lhe mudou o nome para Café Suísso, mantendo os espelhos e o mobiliário de luxo.
O majestoso Café Chinez, o maior café da praia da Póvoa, fundado por Felix da Costa em 19 de Agosto de 1886, viria a transformar-se num ícone das praias nortenhas. Decorado em estilo oriental, guarnecido de espelhos e de estatuetas, lustres e quadros chineses, o luxuoso botequim; que chegou a funcionar como Casino com quatro mesas de jogo, guindou a estância balnear da Póvoa ao topo da classificação turística. Era a grande atracção do litoral nortenho. "Salões magníficos, aristocratas, onde a harmonia dos sons se casam com a. incandescência dos lumes e as nuances dos adornos que prendem ao reflexo dos cristais". Para além do jogo, o Café Chinez, durante os meses de Verão, era palco de atracções musicais, saraus de dança e de poesia, para além de espectáculos de magia e de`circo. Era ainda local obrigatório para encontro social das senhoras-de-bem que não dispensavam esse cavaco mundano ao cair da tarde. "A luz, as cores claras dos vestidos de Verão e o género de música, conseguem repelir a lobreguidão da cara das senhoras que para ali vão tomar lugar depois das sete horas, mal engolida a sobremesa".
Tornou-se moda a sociedade nortenha vir à Póvoa tomar café no Chinez, da mesma maneira que os portuenses escolhiam para o chá das cinco o Café Magestic, em Santa Catarina, ou os lisboetas a Brasileira no Chiado. No dizer da imprensa da época, "nenhuma praia portuguesa excede em magnificência e luxo os cafés da Póvoa de Varzim, onde se gozam os mais lindíssimos trechos de música por sextetos compostos de exímios professores; onde se escutam as vozes maviosas de formosíssimas cantoras espanholas, ou se admira o saracotear de distintas bailarinas madrilenas; vida franca dos Casinos que nos delicia, que nos encanta e nos atrai".
Infelizmente, em 1938, no desabrochar da indústria cinematográfica, o Café Chinês foi demolido para dar lugar ao Póvoa-Cine, uma sala de cinema.

Centro Comercial "Super Ok"
No final dos anos oitenta do século passado o Póvoa-Cine, já em declínio, foi substituído pela galeria comercial Super-Ok, que se saldou num flop.
OUTROS CAFÉS
Dois anos depois do Chinês, aparece, como vizinho-do-lado, o Café Universal, propriedade do poveiro Francisco Diniz da Silva Viana que lhe emprestou luxo e distinção, com frequência seleccionada. Com orquestra privativa e excelentes artistas a actuar durante os meses de Verão, o Café enchia-se todas as noites. Dizia a imprensa: "Ir ao Salão Universal é presenciar o supremo ideal de beleza e da formosura; é satisfazer a curiosidade íntima do espírito;
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JOSÉ DE AZEVEDO nasceu a 1 de Junho de 1935, em Vila do Conde. Desde muito novo que desenvolve intensa actividade na propaganda das coisas poveiras.
Tem-se desdobrado em inúmeras funções de responsabilidade nos campos cultural, jornalístico, turístico e administrativo.
Tem-se desdobrado em inúmeras funções de responsabilidade nos campos cultural, jornalístico, turístico e administrativo.
É autor de vários livros sobre a Póvoa e os poveiros.
Presentemente mantém em “O Comércio da Póvoa” uma crónica semanal com a designação genérica de “O café da Guia”, em que refere figuras e factos da nossa Terra.
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Ele tem 112 anos, ela 110
Noventa anos juntos sem problemas
Ele tem 112 anos, ela 110 e estão juntos há 90. Juntos viram cair o Império Otomano e nascer novos países.
Pequenos pormenores para quem tem uma única aspiração: juntos até à morte. Uma história de amor entre Abdullah e Elif, dois turcos que se enamoraram na juventude e confessam, orgulhosos, nunca terem tido um único problema matrimonial. "Só temos um desejo: morrer juntos porque um sem o outro não sobrevivemos", afirmou a senhora Elif, que deu à luz dez filhos. Um deles, Ismail, de 60 anos, ainda vive com os pais, que considera serem " um exemplo de amor".
Publicado no “Correio da Manhã”
Edição de 17 de Janeiro de 2009
PROVÉRBIOS DA ERA DIGITAL
- 1. A pressa é inimiga da conexão.
- 2. Amigos, amigos, passwords à parte.
- 3. Antes só do que em chats sem interesse.
- 4. A arquivo dado não se olha o formato.
- 5. Diz-me que forum frequentas dir-te-ei quem és.
- 6. Para bom entendedor uma pass basta.
- 7. Não adianta chorar sobre arquivo apagado.
- 8. Em briga de e-namorados não se mete o rato
- 9. Em terra off-line, quem tem um 486 é rei.
- 10. Hacker que ladra não morde.
- 11. Mais vale um arquivo no HD do que dois a baixar.
- 12. Rato sujo limpa-se em casa.
- 13. Melhor prevenir do que formatar.
- 14. O barato sai caro. E lento.
- 15. Quando a esmola é demais, o santo desconfia que tem vírus em anexo.
- 16. Quando um não quer, dois não teclam...
- 17. Quem ama um 486, Pentium 5 lhe parece.
- 18. Quem clica seus males multiplica.
- 19. Quem com vírus infecta, com vírus será infectado.
- 20. Quem envia o que quer, recebe o que não quer.
- 21. Quem não tem banda larga caça com modem.
- 22. Quem nunca errou que aperte a primeira tecla.
- 23. Quem semeia e-mails colhe spams.
- 24. Quem tem dedo vai a Roma.com
- 25. Um é pouco, dois é bom, três é chat ou lista virtual.
- 26. Vão-se os arquivos, ficam os back-ups.
- 27. Diz-me que computador tens e dir-te-ei quem és.
- 28. Há dois tipos de pessoas na informática. Os que perderam o HD e os que ainda vão perdê-lo...
- 29. Uma impressora disse para outra: Essa folha é sua ou é impressão minha.
- 30. Aluno de informática não cola, faz backup.
- 31. O problema do computador é o USB (User Super Burro).
- 32. Na informática nada se perde, nada se cria.. Tudo se copia... E depois cola-se.
Obtido num Diaporama que não indicava o autor.
DISTÂNCIA
Não vás para tão longe!
Vem sentar-te
Aqui na chaise-longue, ao pé de mim...
Tenho o desejo doido de contar-te
Estas saudades que não tinham fim.
Não vás para tão longe;
Quero ver
Se ainda sabes olhar-me como d'antes,
E se nas tuas mãos acariciantes,
Inda existe o perfume de que eu gosto.
Não vás para tão longe!
Tenho medo
Do silêncio pesado d'esta sala...
Como soluça o vento no arvoredo!
E a tua voz, amor, como se cala!
Não vás para tão longe!
Antigamente,
Era sempre demais o curto espaço
Que havia entre nós dois...
Agora, um embaraço,
Hesitas e depois,
Com um gesto de tédio e de cansaço,
Achas inconveniente
O meu abraço.
Não vás para tão longe!
Fica. Inda é tão cedo!
O vento continua a fustigar
Os ramos sofredores do arvoredo,
E eu ponho-me a pensar
E tenho medo!
Não vás para tão longe!
Na sombra impenetrada,
Como se agita e se debate o vento!...
Paira nas velhas ruínas do convento
Que além se avista,
A alma melancólica d'um monge
Que a vida arremessou àquela crista...
Céu apagado, negro, pessimista,
E tu sempre mais longe!...
FERNANDA DE CASTRO
in "Antemanhã"
Romancista, poeta e conferencista portuguesa, conhecida pelo seu nome de solteira, com vasta e diversificada obra, escreveu poesia, literatura infantil, romance e memórias. Filha de um oficial da Marinha ficou órfã de mãe aos doze anos. Estudou em Portimão, Figueira da Foz e Lisboa, tendo frequentado, nesta cidade, os Liceus D. Maria Pia e Passos Manuel. Começou por escrever livros infantis com sucesso nomeadamente "Mariazinha em África", 1926; "A Princesa dos Sete Castelos" e "As Novas Aventuras de Mariazinha", 1935. Conheceu África que transmitiu com talento nos seus livros. Casada com António Ferro, jornalista e homem forte do regime de Salazar, promoveu a cultura no país e estrangeiro em importantes exposições. Criou e desenvolveu, nos anos trinta, a Associação Nacional dos Parques Infantis, dadas as suas excelentes relações com as mais altas instâncias governamentais. A sua poesia é francamente inspirada e está de novo a ser divulgada. Destacam-se "Asa no Espaço", 1955; "Poesia I e II", 1969, "Urgente", 1989. David Mourão-Ferreira elogia vivamente a sensualidade feminina dessa poesia. Fernanda de Castro recebeu, em 1969 o Prémio Nacional de Poesia e recebera em 1945 o Prémio Ricardo Malheiros pelo romance "Maria da Lua". Escreveu até praticamente ao fim da vida, embora nos últimos anos a doença a retivesse na cama. Foi avó da escritora Rita Ferro. Escreveu “Ao Fim da Memória: Memórias (1906-1986)”,
Fonte: AQUI
Usos, costumes, tradições e lendas
Na orla da angra ou enseada de Varzim, vive o Poveiro, tipo de pescador original e inconfundível na beira-mar portuguesa.
Os seus usos e costumes, que são as suas leis, constituem um fundo de beleza moral que muito impressiona quem com eles trava conhecimento, pelo sabor encantador que deles ressalta, pois traz até nós um espírito de justiça, previdência e solidariedade, que vindo arreigadamente conservando, desde remotas eras, ainda hoje nos faz vibrar pelos encantamentos que encerra.
Forte, rude, vive do mar e para o mar.
As suas conversas, na benda, quando a companha bebe; ou nos fieiros e à proa da embarcações, quando interroga os astros e o tempo, só os episódios das lutas no mar lhes servem de pasto, admirando, quem o observa, a simplicidade com que narra actos de grande tragédia humana onde a sua heroicidade se ergue ao cume da abnegação pelo seu semelhante.
E é, no mar, o mais ousado pescador da costa, afoitando-se às maiores distâncias, arrostando nos seus pequeninos e frágeis barcos os maiores temporais, num à vontade que arrepia e assombra.
Enquanto noutras terras da costa o pescador descansa forçado pelo mar da barra, o Poveiro atira-se para o assejo a lutar com esse mar, no anseio de o vencer para ir pescar a sardinha que o mergulho rápido do mascato, lá ao longe, lhe anuncia que anda em barría.
A pesca domina-o, subjuga-o, embriaga-o.
Venha a toada de peixe em grossos cardumes, quer de sardinha na costa sul, quer de pescada no profundo, que não há mau tempo para o Poveiro: atira-se pelo mar dentro. E se alguém lhe observa o grave risco em que corre, êle responde com serenidade e confiança:
- E' a nossa vida!
Vida que é, quantas vezes, a morte!
Valente e ousado no mar, verdadeiro lobo marinho, desafiando as iras das tempestades para viver ou para salvar, ele é em terra tímido, submisso, quase cobarde. Não quer, antes delas foge a sete pés, contendas com os homens da terra, porque lhe teme as traições duma navalhada ou dum firo. E contudo, êle que é forte e hercúleo, podia, sem receio, medir-se com êles. E', além disso, pacato, bondoso de índole, pouco atreito a desordens.
Nas contendas do mar ou em terra, só conhece urna arma, a pedra, que maneja com perfeição; no mar, de barco para barco, quando se envencilham as caças e julga ver nisso um propósito de prejuízo, o que é raro dar-se; em terra, quando acossado pelos peixes de coiro (termo depreciativo com que trata os homens da terra) e não tem tempo de se pôr fora da luta, que nunca provoca, antes evita.
Os Poveiros falam muito e alto. Nas brigas entre eles, raramente chegam a vias de facto e quando isto se dá, o murro ë a agressão mais grave da contenda. Nunca empregam armas de outra espécie.
Insultam-se com pragas as mais afrontosas, sem que disso resulte no geral, outro dano que não seja ofensa aos ouvidos de quem passa.
Se quando briga pressente que se aproxima a autoridade ou pessoa categorizada da terra, foge, ou, então, logo se apazigua.
Tem um enorme horror á prisão. Não quer mesmo entrar nas Casas Grandes (Paços do Concelho) onde está instalada a Justiça e a cadeia.
Quando uma intimação o obriga a ir lá, vale-se das suas melhores amizades, dando as maiores prebendas, para não pôr lá os pés, embora lhe façam a promessa de que nada de mau lhe sucede.
Os que lá vão chamados, ficam diminuídos perante a classe. A' menor zanga, lá vem o apodo: «Tu não és boa bisca! Já foste chamado às Casas Grandes!»
São muito honestos.
Podem estalar de fome, mas não roubam. Não há memória de um poveiro na cadeia comarcã por furto. «Quando Nosso Senhor não dá do mar”. e a miséria lhe assalta o lar, embrenha-se pela terra dentro batendo à porta dos lavradores a pedir uma esmolinha para o poveirinho que não pode ganhar.
Todo o Minho lhe conhece a lamúria, prestando-lhe socorro e amparo, convicto de que o presta ao ousado trabalhador do mar, bom e honesto, que pode morrer de fome mas não furta.
Quando o mar dá e o Poveiro ganha, ninguém junto dêle é pobre; ninguém, que o rodeia, passa miséria: batelada na mesa, roupa da melhor para vestir, argolas de oiro para as mulheres e filhas, fartura constante até acabar .— "Enquanto dura, vida doçura".
Depois, "quando Nosso Senhor não dá do mar", o prego supre: e as argolas, a roupa de pano fino, os lençóis melhores da cama, tudo até ao último farrapo que
foi adquirido numa imprevidência assombrosa na época da fartura, se empenha para acudir à boca. E se não chega, pede-se fiado na benda; e quando o dono desta se nega a abonar mais, porque entende que os ganhos do Janeiro não podem chegar para cobrir a liquidação, ei-lo de pau na mão, cesta às costas, a esmolar pela terra dentro.
Vida simples, vida limpa, nada de tentações por aquilo que não é seu.
O Poveiro vive num isolamento absoluto, sem mistura e à parte das outras classes, regulando-se exclusivamente pelas suas leis e preceitos.
Raça bem diferenciada do indígena desta região, o Poveiro tem todas as ousadias dos navegadores seus antepassados tendo conservado avaramente costumes e tradições dos seus ascendentes primitivos que aportaram à angra de Varzim, porque em nenhuma outra comunidade marítima do litoral português há nada semelhante às leis e preceitos dos poveiros.
in
"O POVEIRO"
de A.Santos Graça
edição do autor - 1932
ANTÓNIO DOS SANTOS GRAÇA
Nasceu na Póvoa de Varzim em 16/01/1882 e faleceu em 07/09/1956.
Jornalista, etnógrafo e político, fundou em 1904 o semanário "O Comércio da Póvoa de Varzim" que dirigiu até 1924, data em que dá início à publicação sob a sua direcção do jornal "O Progresso". Estudioso das tradições populares, usos e costumes da comunidade marítima, constitui, em 1936, o Grupo Folclórico Poveiro e, em 1937, fundou e dirigiu até à sua morte o Museu Municipal de Etnografia e História. Foi dirigente político tendo ocupado diversos cargos públicos entre os quais os de deputado e de senador.
Destacou-se, também, no meio associativo local: foi um dos fundadores do Clube Naval Povoense; serviu na direcção de muitas colectividades (provedor da Santa Casa da Misericórdia, presidente da Associação Comercial) e fez parte do corpo auxiliar dos Bombeiros.
Obras principais: "O Poveiro" (1932), "A Crença do Poveiro nas Almas Penadas" (1933), "Inscrições Tumulares por Siglas" (1942), "A Canção do Berço" (1945), "A Epopeia dos Humildes" (1952).
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