CLICAR EM CADA UMA DAS IMAGENS PARA AS AMPLIAR CLICAR DE NOVO NA IMAGEM QUE APARECE PARA FICAR AINDA MAIOR . Imagens retiradas de diaposivos que não ondicavem a autoria das fotos. . SONETO . Amo-te muito, meu amor, e tanto que ao ter-te amo-te ainda mais, e mais ainda depos de ter-te, meu amor. Não finda com o próprio amor o amor do teu encanto. . Que encanto é o teu? Se continua enquanto sofro a traição dos que, viscosos prendem, por uma paz da guerra a que se vendem, a pura liberdade do meu canto, . um cântico da terra e do seu povo, nesta invenção da humanidade inteira, que a cada instante há que inventar de novo, . tão quase é coisa ou sucessão que passa... Que encanto é o teu? Deitado à tua beira, sei que se rasga, eterno, o véu da Graça. . JORGE SE SENA (1919-1978) Jorge de Sena (1919-1978) nasceu em Lisboa e faleceu em Santa Barbara, Califórnia. Frequentou o curso de Engenharia Civil na Faculdade de Engenharia do Porto, tendo trabalhado entre 1948 e 1959 como engenheiro na Junta Autónoma das Estradas. Partiu em 1959 para o Brasil, fazendo o doutoramento em 1964 na área de literatura portuguesa. No ano seguinte parte para os Estados Unidos, lecionando primeiro em Wisconsin e, a partir de 1970, na Universidade da Califórnia em Santa Barbara. Em 1977 recebeu o Prémio Internacional de Poesia Etna-Taormina. A nível literário, Jorge de Sena, esteve ligado aos Cadernos de Poesia com José Blanc de Portugal, Rui Cinatti, entre outros. A par da sua escrita poética e ficcional, há a salientar os estudos teóricos sobre literatura portuguesa e inglesa, em especial aqueles que se referem a Camões e a Fernando Pessoa. Obras poéticas: Poesia – I (1977), Poesia – II (1978), Poesia – III (1978). Ficção: O Físico Prodigioso (novela, 1977), Andanças do Demónio (contos, 1960), Novas Andanças do Demónio (1966), Antigas e Novas Andanças do Demónio (contos, 1978), Os Grão-Capitães (contos, 1976), Génesis (contos, 1983), Sinais de Fogo (romance, 1979). Teatro: O Indesejado (António Rei) (1951), Amparo de Mãe e mais cinco peças em um acto (1974). Ensaio: Da Poesia Portuguesa (1959), História da Literatura Inglesa (1959-1960), A Estrutura de Os «Lusíadas» e Outros Estudos Camoneanos e de Poesia Peninsular do Século XVI (1970), Os Sonetos de Camões e o Soneto Quinhentista Peninsular (1969), Fernando Pessoa & Cª Heteronímica (1982), etc. . . . Esculturas em bronze colocadas em jardins públicos. Infelizmente não foi possível identificar o autor nem apurar a cidade nem o país onde se encontram. . Para deixar o seu comentário, clicar na palavra I comentar I na linha abaixo ASSIM, NÃO! E digo-o apropriando-me de palavras que os professores usaram na expressiva manifestação do dia 8 de Maio em Lisboa. Tratava-se de uma “Marcha da Indignação” pelas políticas do Governo para a Educação. Não é minha intenção deter-me, neste momento, sobre esse contencioso que opõe uma significativa parte dos professores ao Governo e à sua Ministra da Educação. Neste momento, gostaria apenas de, mais do que manifestar a minha opinião, partilhar a minha inquietação sobre o episódio de que o país tomou conhecimento através de um vídeo feito por um aluno da Escola Carolina Michaelis no Porto. O vídeo mostra-nos a reacção de uma aluna de 15 anos perante o facto de a sua professora de Francês lhe ter apreendido o telemóvel (proibido de usar dentro das aulas). E a cena não pode ser mais revoltante. Mais triste. Mais deprimente. Ao histerismo da aluna que se permitiu enfrentar e afrontar a professora, tratando-a por tu, aos berros e agarrada a ela na tentativa de reaver o telemóvel, juntaram-se outros alunos achincalhando a docente com ditos e gargalhadas. No meio disto tudo alguém se “preocupou” com a professora: “Olha que a velha vai cair!” Pareciam um bando de marginais na postura e na linguagem. Um deles foi o autor do vídeo que depois, orgulhosamente, colocou na net: “Somos os maiores!” A gente vê. Vê e não acredita! Que o comportamento dos alunos nas escolas era um descalabro, sabíamos ou adivinhávamos. Que fosse possível ter-se chegado a este ponto, não. A propósito deste vídeo li no Diário de Notícias, num artigo de opinião assinado por Ferreira Fernandes: “ É que se ele foi filmado numa sala de aula, o que mostrou foi a sala de jantar daqueles miúdos”. Claro! Ninguém acredita que aquela adolescente que se permitiu tratar a professora do modo que tratou, tenha em sua casa um comportamento diferente. O que aquele rapaz conseguiu ao filmar e publicar a cena em que também participou não foi apenas uns momentos de glória entre os seus pares. O que ele conseguiu foi dar um murro no estômago a cada um de nós, pais, professores, educadores, cidadãos em geral. O que ele conseguiu foi transformar-nos em espectadores estupefactos de uma realidade que nos andava a passar ao lado. E de que TODOS somos responsáveis. E agora, o que se vai seguir é fácil de adivinhar: vamo-nos pôr todos, como eu o estou já a fazer, a dar voltas à cabeça, a tentar perceber como e porquê. Vão surgir acesos debates, cada um vai dizer de sua justiça, durante uns dias não haverá outro tema nos encontros de café, nos empregos, em cada casa e depois…bem, depois não acontecerá nada. É que o costume é que, depois, não aconteça nada. Se formos passear pela floresta e não tivermos o cuidado de não abandonar os trilhos criados para evitar que nos percamos, corremos sérios riscos de perder o Norte. De não sabermos retomar o caminho. É isso mesmo o que se está a passar. Apagaram-se os trilhos nesta selva em que a sociedade se está a transformar. Não se sabe mais que linhas não devem, não podem ser ultrapassadas. Andamos perdidos. Perdidos numa confusão de palavras fundamentais mas desgastadas pelo mau uso: democracia, liberdade, direitos, igualdade. As crianças, os adolescentes, acham que têm os mesmos direitos dos pais, dos professores, dos adultos Os jovens andam ao trambolhão entre a falta de assistência em casa, a falta de valores e as experiências educacionais. Tudo é permitido. Ninguém é responsabilizado. É o salve-se quem puder! Será que alguém se vai salvar? Retomo a manifestação de professores apenas para salientar um dos muitos aspectos de que se reveste. Aqueles professores (cem mil) que se manifestaram em Lisboa, vindos de todos os lados do país, com bandeiras, faixas e palavras de ordem, fizeram-no dentro do salutar espírito de defesa do que consideram ser os seus legítimos direitos e da legalidade democrática. Mas, não se coibindo de levantar bandeiras com insultos à Ministra e ao Governo, não caucionaram comportamentos censuráveis? Não deram o exemplo do vale tudo? É que às cem mil pessoas que têm como profissão educar deve-se exigir a capacidade de resolver os problemas sem que tenham de se socorrer do achincalhamento a que foi sujeita pelos alunos a professora da Escola Carolina de Michaelis e pelos professores a Ministra da Educação! E, já agora: vários dos artigos que têm vindo a ser publicados transcrevem a opinião que sobre este assunto manifesta Fernando Charrua, também ele professor em exercício na escola onde a cena se deu. Ficamos a saber que este não é o primeiro incidente do género naquela escola. Ainda não há muito, uma aluna, insatisfeita com a nota que tivera numa das disciplinas, resolveu puxar os cabelos à respectiva professora! Mas, este professor Charrua que vemos agora a defender, e bem, a pena máxima que o novo estatuto permite para a aluna que agrediu a professora, não foi o protagonista daquela história que fez correr tanta tinta por ter sido suspenso pela DREN na sequência de comentários que terá feito, considerados insultuosos, ao Primeiro-Ministro? É urgentíssimo que cada um, pais, alunos, professores, governantes, ocupe o lugar que lhe compete e respeite para ser respeitado. Não é com maus exemplos em casa ou na escola que se vão resolver os problemas da educação ainda que os alunos possam vir a dispor de muito boas intenções e de tecnologia avançada. Antes de se introduzirem nas escolas as palavras novas que esses novos instrumentos técnicos nos aportam, comecemos por aprender algumas bem mais simples mas essenciais para a construção do futuro: ética, respeito, solidariedade. E aprendamos, para podermos ensinar, que a nossa liberdade acaba onde começa a do outro. Sem isto, tão princípio, tão base de tudo, não vale a pena nem cansaços nem gastos de dinheiro. Puxem-se pois “os cabelos” no recato de uma sala se não sabemos resolver os problemas de outra maneira. Mas não se venha para a praça pública mostrar fraquezas e dramáticas limitações. Não foi para chegarmos a este estado que Abril nos ofereceu a inegociável liberdade de expressão de que hoje desfrutamos! Libânia Feiteira Jakarta, 22 de Março 2008 ........................................ É licenciada pela Universidade de Viena em Línguas e Literaturas Modernas (variante de Português / Francês). Fez o Curso Geral de Teatro e o Curso Superior de Educação pela Arte no Conservatório Nacional de Lisboa. Viveu em Moçambique, na Alemanha, no Senegal, na Áustria e na Austrália.Vive actualmente na Indonésia. LIBÂNIA FEITEIRA colabora no GARATUJANDO com trabalhos literários na forma de “Contos”, - livro a publicar com o título “AQUI ENTRE NÓS”,- também com poesia falada e com trabalhos de criação artística.
fonte PROJECTO VERCIAL
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