Sexta-feira, 28 de Março de 2008
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óleo sobre tela de John Willian Godward

                       WITH VIOLETS WREATHES AND ROB OF SAFFRON HUE

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FELICIDADE

Ela veio bater à minha porta
e falou-me a sorrir, subindo a escada:
“Bom dia, árvore velha e desfolhada”
e eu respondi: “Bom dia, folha morta”
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Entrou: e nunca mais me disse nada...
Até que um dia (quando pouco importa!)
houve canções na ramaria torta
e houve bandos de noivos pela estrada...

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Então chamou-me e disse:“Vou-me embora!
Sou a felicidade! Vive agora
da lembrança do muito que te fiz”
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E foi assim que em plena primavera,
só quando ela partiu contou quem era...
E nunca mais eu me senti feliz!

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 Guilherme de Almeida

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Guilherme de Almeida (Guilherme de Andrade de Almeida), advogado, jornalista, poeta, ensaísta e tradutor, nasceu em Campinas, SP, em 24 de julho de 1890, e faleceu em São Paulo, SP, em 11 de julho de 1969. Eleito para a Cadeira nº. 15 da Academia Brasileira de Letras, na sucessão de Amadeu Amaral, em 6 de março de 1930, foi recebido, em 21 de junho de 1930, pelo acadêmico Olegário Mariano.
Em 1932 participou da Revolução Constitucionalista de São Paulo.
Distinguiu-se também como heraldista. É autor dos brasões-de-armas das seguintes cidades: São Paulo (SP), Petrópolis (RJ), Volta Redonda (RJ), Londrina (PR), Brasília (DF), Guaxupé (MG), Caconde, Iacanga e Embu (SP). Compôs também um hino a Brasília, quando a cidade foi inaugurada. Em concurso organizado pelo Correio da Manhã foi eleito, em 16 de setembro de 1959, “Príncipe dos Poetas Brasileiros”.
Era membro da Academia Paulista de Letras; do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo; do Seminário de Estudos Galegos, de Santiago de Compostela; e do Instituto de Coimbra
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Um dos promotores da Semana de Arte Moderna, em 1922, foi fundador da Klaxon, a principal revista dos modernistas.
Traduziu, entre outros, os poetas Paul Géraldy, Rabindranath Tagore, Charles Baudelaire, Paul Verlaine e, ainda, Huis clos (Entre quatro paredes) de Jean Paul Sartre.

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                        Medo de trair o sonho

 

Vivemos aperreados por um sistema político ditatorial que durante meio século nos isolou e atrofiou enquanto povo.

Vivemos meio século humilhados por nos ter sido coarctado o mais básico dos direitos: o de pensarmos e podermos dizer o que pensamos.

Vivemos todo esse tempo a esconder nas muitas dobras do sonho a garrafa de champanhe com que um dia haveríamos de festejar a liberdade.

Porque um dia, um dia haveríamos de festejar a liberdade!

Depois, o dia chegou! E foi a seiva dos cravos vermelhos que se fez sangue novo!

Esfusiantes de alegria abrimos as garrafas que tão ciosamente, durante tanto tempo, trouxéramos guardadas em nós. Aquele champanhe que jorrou, cheio de energia, borbulhava vivo de novas ideias, novas teorias com que queríamos construir o amanhã que ali nascia.

Quebraram-se todas as amarras. Varreram-se todos os empecilhos ao caminho novo que queríamos trilhar.

Mas, na azáfama de limpar, faltou-nos tempo para pensar.

Na ânsia de libertar, esquecemo-nos do essencial: começar por criar condições para viver uma liberdade responsável.

É compreensível. A festa era de arromba. O champanhe óptimo. A embriaguez inevitável!

Mas, não nos esqueçamos, já se passaram trinta e quatro anos sobre esse dia de festa!

Não será tempo a mais para andar embriagado?

Há quanto tempo já deveríamos ter tido a lucidez de começar a corrigir os naturais excessos que a festa provocou?

Bem, tudo isto vem ainda a propósito do vídeo da Escola Carolina Michaelis.

Com o título “Batemos no fundo”, leio a opinião de José Leite Pereira, director do Jornal de Notícias:

“Seriam assim tão maus os tempos em que os alunos se levantavam quando o professor entrava na sala? Seria assim tão penoso o silêncio que se fazia enquanto o professor falava? Seria assim tão pouco natural que um aluno fosse posto fora da aula se estivesse a perturbar os colegas e o professor? Seria assim tão fora do senso comum que um estudante que não tivesse aproveitamento fosse obrigado a repetir o ano?”

Não! Não eram! Nós é que confundimos tudo!

Em muitas áreas, onde se escreveu liberdade leu-se libertinagem. Não nos esqueçamos que o analfabetismo foi o garrote vergonhoso de que se serviu a ditadura para se poder perpetuar!

Por isso, o nosso sorriso era de ternura, sim, mas uma ternura feita de lágrimas de tristeza e vergonha, quando o povo humilde querendo gritar nas ruas as palavras novas que diziam liberdade, as deturpava. Intuía que eram palavras boas. Palavras-sementes numa terra que se queria fecunda e fraternal. Mas não sabia ler, aprendia-as de ouvido e ouvia mal.

Não havia o hábito de ler, de pensar, de argumentar e isso marcou-nos. Muito. Ainda estamos a pagar a factura que daí nos ficou.

Á escola compete, hoje, preparar as crianças para serem os adultos de amanhã. Os cidadãos de amanhã.

Tenho filhos e netas. E, naturalmente levanto-me se uma pessoa, pela idade ou pela hierarquia, me merece uma especial deferência. Por respeito.

Ouço, obviamente, calada, o que me tem a dizer. Por respeito.

Depois, digo o que entendo dizer sobre o que ouvi. E quero que essa pessoa me ouça com atenção. Por respeito.

Aprendi, em casa e na escola, as regras básicas de educação.

Por que razão é obrigatório ter aulas de código e condução antes de sermos autorizados a conduzir um automóvel?

Porque, evidentemente, se não conhecermos as regras, se cada um conduzir na via que entender, se não se souber que há limites para a velocidade, se não se perceber a função dos semáforos vamos todos uns contra os outros, acabamos todos encarcerados na lata dos automóveis!

É tão simples quanto isto!

E isto, que é simples, aplica-se a tudo! Sem regras de convivência não é possível conviver.

Civismo. Civismo é o nome que abarca esse conjunto de regras.

Se a criança de hoje, para quem o respeito é uma palavra cujo sentido mal conhece ou desconhece, se apresentar adulto amanhã com esse desconhecimento, vai ser marginalizado pela sociedade.

Será que estamos a educar as nossas crianças para serem, amanhã, marginais? Estamos. E a factura das nossas opções são eles, os nossos filhos, os nossos netos, quem a vai pagar!

Penso que o que se passa é que nos debatemos todos com um grande problema. O da confusão ideológica.

Temos imenso medo de trair o sonho.

Declarámo-nos, num dia em que o ar cheirava a cravos, a favor de uma sociedade sem amarras, livre de preconceitos bafientos. Declarámo-nos a favor da igualdade, da fraternidade, da liberdade.

DIA MAIOR esse!

Que pena não sabermos viver, como devíamos, esse largar de gaivotas!

Ao escrever o que escreveu, José Leite Pereira não teve nenhum preconceito em partilhar connosco o que pensa e o que pensam muitos dos que se preocupam com o estado da educação em Portugal.

Mas as questões concretas que nos põe nem todos temos a coragem de as pôr.

Porquê? Por medo. Medo de sermos confundidos com o passado que repudiamos.

Por falta de coragem intelectual para separar o trigo do joio!

Falta de ética para arrepiar caminho!

Aquilo a que, no antigo regime, se chamava respeito era, a maior parte das vezes, medo. E era também a subserviência que o medo cria.

Trinta e quatro anos é muito tempo! Já devíamos ter aprendido que respeito e medo não são a mesma coisa!

Que à autoridade repressiva deveríamos ter oposto a autoridade democrática. Não a falta de autoridade! Nas escolas ou nas ruas, a autoridade democrática é um pilar da liberdade.

Retomo o artigo do director do Jornal de Notícias:

“Batemos no fundo. E enquanto não conseguirmos restaurar a autoridade na escola, não sairemos da cepa torta”.

Paremos, pois, para repensar o que está mal. Mas façamo-lo sem demora! Antes que, quando menos contarmos, nos saia ao caminho algum fantasma do passado…

 

 Jakarta, 25 de Março, 2008

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                               NOTÍCIAS DA PÓVOA DE VARZIM      

                                      

                                            PRAÇA DOS PINTORES     

                                               10 e 11 de Maio

 

                           

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Para além de um espaço de convívio, lazer e manifestação livre das artes plásticas, a Praça dos Pintores tem-se afirmado como um intercâmbiocom as cidades geminadas - Montgeron, Eschborn e Zabbar– através da participação de jovens destas localidades.
Esta actividade é da responsabilidade da Associação de Amizade Póvoade Varzim/Cidades Geminadas e conta com o apoio da autarquia.
A Praça dos Pintores proporciona a todos um espaço público paraa manifestação espontânea do seu talento e o tema deste ano é Linguagem.

 

 

                                        PROJECTO ESCOLA DA MINHA VIDA

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Na sexta-feira, 4 de Abril, o Pavilhão Municipal vai receber a festa de encerramento do Projecto Escola da Minha Vida.
Entre várias actuações vão ser anunciados os vencedores dos concursos de poesia, prosa,
escultura, desenho, pintura, banda desenhada e multimédia. Vão ainda ser entregues os prémios das actividadesdesportivas que decorreram ao longo do ano lectivo.
As escolas EB 2/3 de Beiriz, Rates, Aver-o-Mar, Cego do Maio e as Escolas Secundárias Rocha Peixoto e Eça de Queirós vão apresentar coreografias elaboradas pelos professores de Educação Física: “O sonho”, “Entre músicos e poetas”, “Desporto Escolar: Escola Viva”, ,“Olimpismo”, “Danças urbanas” e “Acrofox”, respectivamente. No total, mais de 370 alunos vão subir ao palco para darem o seu contributo a esta festa que comemora o talento, a originalidade e a iniciativa do jovens estudantes no concelho.

                                              

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publicado por garatujando às 20:55
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