Sábado, 28 de Junho de 2008
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                                        FESTAS DE SÃO PEDRO

                                               NA

                                    PÓVOA DE VARZIM

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             Breves considerandos acerca das Festas em geral e descrição

             pormenorizada do traje usado pelas componentes das Rusgas

 Junho é o mês em que, nas mais diversas localidades do País, se festejam os santos populares: Santo António a 13, São João a 24 e São Pedro a 29.

 S.Pedro que, segundo a tradição cristã, além de ter sido o primeiro Papa, é guardião das portas do Céu e padroeiro do Tempo, é especialmente venerado na Póvoa de Varzim por ser, também, protector dos pescadores.

Em 1962, por iniciativa da Comissão Municipal de Turismo, iniciou-se o percurso das Festas de S. Pedro na Póvoa de Varzim, entretanto adoptadas como FESTAS DA CIDADE. Em menos de 40 anos, tornaram-se uma imagem de marca para a Póvoa, de tal forma que, em 1974, por deliberação da autarquia, o dia 29 de Junho passou a constituir feriado municipal.

As festividades de S. Pedro correspondem a uma semana de espectacular animação, em que toda a Póvoa sai para a rua. O momento por excelência é o da «noitada» de 28 para 29 de Junho, em que se canta, dança e comem sardinhas assadas à volta das fogueiras, num ambiente onde, rapidamente, se passa do estatuto de desconhecido a conviva cúmplice nos folguedos da noite. Os protagonistas da festa são os vários bairros da cidade que, coordenados pela Câmara Municipal, preparam os tronos e as actuações das rusgas.

Como é comum nas festas portuguesas de base religiosa, aqui se mistura o sagrado com o profano.

As Festas de S.Pedro - que vão de 25 a 30 de Junho -   em que a parte religiosa é constituída pela missa e a procissão do Santo, resultam num imenso arraial por toda a cidade onde, cada bairro, por iniciativa das suas colectividades em colaboração estreita com os moradores, organiza a sua rusga, constrói o seu trono em homenagem a S.Pedro, decora a preceito as fachadas das suas casas, expõe nas montras dos seus estabelecimentos motivos religiosos e outros alusivos à actividade piscatória, prepara as suas fogueiras e faz, na via pública, as suas sardinhadas.

Vistosas iluminações, com desenhos de bonito efeito, sempre com o Santo e a pesca a serviram de motivo, emprestam à noite da cidade um colorido e uma vida que empolgam toda a gente. As iluminações apresentam desenhos cada vez mais apurados
Os interessantes desenhos, feitos de riscos luminosos que se destacam feericamente na noite e formam em cada rua esplendorosos túneis de luz e de cor,  têm, invariavelmente, como tema o Santo padroeiro dos pescadores e motivos de pesca. Muitas destas luminosas ornamentações são de grande espectaculosidade e bom gosto.
Os "Tronos" fazem parte duma antiga tradição e apresentam-se, ano após ano, cada vez mais sofisticados e de apurado bom gosto.

Em cada bairro é montado um "trono" evocativo do Santo festejado onde, na maioria dos casos, figura uma imagem de S.Pedro em tamanho natural. Cada trono é feito no maior sigilo e quase sempre de notável concepção artística, que é motivo de “peregrinação” dos visitantes. Estes tronos são imaginados meses antes e construídos apenas na noite antes da grande “noitada”, para não serem copiados.

Rusga, na Póvoa, é a designação de cada grupo de danças e cantares que, nestas festas, representa o bairro a que pertence, e o seu desfile é um dos principais actrativos da noitada de S.Pedro que hoje, dia 28, tem lugar.

Cada rusga, com os seus trajos próprios, os seus arquinhos e balões e seguida de numerosa e entusiástica claque vai, ao som da sua marcha, de visita ao bairros rivais mostrar, com muita prosápia de que é a melhor.

 As danças e cantares cuja música e letra, são sempre diferentes de ano para ano, são, com larga antecedência, ensaiados com muito empenhamento

 As raparigas, bonitas e esbeltas, que as há, muitas, aqui, ostentam repesteladas - termo poveiro que significa muito vaidosas - o seu (estilizado) trajo de tricana em que predominam as cores que identificam o seu bairro.

 Cada rapariga é acompanhada, obviamente, pelo seu par que, a seu lado, marcha garboso e embevecido.

 Em todos os bairros há um estrado que serve de palco onde cada rusga exibe a coreografia das suas danças e faz ouvir os seus cantares que são, invariavelmente, de apologia ao bairro da sua origem.

A maioria das rusgas integra elementos muito jovens por vezes crianças muito pequenas e por isso muito graciosas no seu pequeninos trajos a rigor e elementos já de mais idade que são os veteranos que não desistem destas manifestações bairristas.

 A festa prossegue noite adentro com grupos de todas as idades divertindo-se em redor das fogueiras, e saboreando as sardinhas assadas em braseiros instalados em plena rua. Pão de milho e vinho verde tinto não podem naturalmente faltar em ocasiões como esta.

O clima gerado neste ambiente festivo é propício ao espontâneo convite a este ou aquele passante para que tome parte no apetitoso repasto.

Só muito tarde, já de madrugada, quando o cansaço começa a fazer sentir os seus efeitos, a festa vai terminando, ao ritmo do esmorecer dos braseiros em que as fogueiras se vão, lentamente, transformando.

 

Por tudo quanto fica dito se vê que as Festas de S.Pedro na Nossa Terra são muito mais diversificadas e assentam num largo leque de premissas como em nenhuma outra festa do género no país.

E porque alguns aspectos desta festas merecem referência mais pormenorizada, o GARATUJANDO vai inserir sucessivamente  vários posts sobre este período festivo, pormenorizando o que, em cada tema,  mereça maior relevância.

Comecemos, então pelo

TRAJE USADO PELAS COMPONENTES DAS RUSGAS

 O traje das raparigas que fazem parte das rusgas de bairro que animam as festas poveiras, nomeadamente as tradicionais Festas de S.Pedro, é inspirado no vestir das antigas tricanas poveiras,

Infelizmente o traje dessas, bonito e gracioso na sua sobriedade, foi caindo em desuso e desapareceu de vez há algumas décadas,  para dar lugar às incaracterísticas calças jeans e t-shirt, estandardizando as figuras femininas e vulgarizando a sua forma de vestir.  

 

 

                           

        Tricana poveira tradicional                Traje usado agora nas rusgas

 

Mantendo, embora, as suas peças principais, blusa, avental rodado, saia travada, meias de seda com risca, e chinelos, o traje das moças das rusgas é muito mais elaborado, principalmente nos aventais, agora feitos de tecidos caríssimos e trabalhados com ricos bordados de caprichosos desenhos, pintura a pincel, lantejoulas, pérolas e outros enfeites.

Darão, assim, um efeito muito mais colorido e vistoso ao defile e às danças a que se destinam, mas desviam-se completamente do seu modelo original.

 

Blusa  branca, de crepe georgette  bordada a fio de ouro e cordão dourado, missangas e lantejoulas.

Avental azul de crepe georgette forrado a tule e bordado com pequenas pérolas amarelas e missangas, completado com um outro bordado  a ponto de cadeia, com  de fio dourado.

 

Este avental é idêntico ao anterior. mas mais elaborado. Aqui foram usados tecidos de dois tons de azul, cortados em panos  alternadamente colocados. Os acabamentos são, também do mesmo tipo dos do anterior, mas os desenhos são mais ricos e vistosos. 

 

Pormenor do bordado do avental imediatamente acima

A peça mais importante no traje destas moças é o avental. Já o era no tempo das tricanas tradicionais.

Com o despique que se estabelece entre as figurantes nas rusgas, cada uma das quais pretende apresentar-se com o traje mais vistoso e de maior luxo .foi-se apurando a qualidade do tecido e das suas aplicações, o que elveva o custa da peça a valores muitas vezes exorbitantes. 

 

Avental confeccionado com tecido organza estampado, forrado a tafetá e bordado com missangas, lantejoulas e pérolas pequenas, brancas.

 

Avental de seda selvagem decorada a pincel com purpurina prateadada.

O trabalho de pintura sobre o tecido é da autoria de Maria Palhares Couto Cunha, professora de Artes Decorativas na "FILANTRÓPICA- Cooperativa de Cultura, C.R.L."  

 

Avental de cetim pintado a pincel com purpurina amarela e branca. 

  

 

 O chinelo caíu em desuso, e actualmente é apenas usado em ocasiões especiais que pedem o traje festivo, como as festas tradicionais e cortejos de carácter folclórico ou etnográfico.

Os exemplares que acima se vêem, não sendo obrigatoriamente iguais em todas as figurantes das rusgas, obedecem mais ou menos a este modelo.

Os chinelos de agora embora aproximando-se dos que eram usados pelas tricanas de outros tempos, não têm o precioso acabamento dos daquele tempo..

Nessa altura havia na Póvoa artesãos de sapataria, que eram verdadeiros artistas no seu mister.

Seja referido um, Urbano de seu nome, que entre os demais se destacou pela originalidade dos modelos que criava e, manualmente, confeccionava.  Eram  verdadeiras joias de arte e bom gosto. Tricana que usasse os seus chinelos, tornava-se notada pela elegância e leveza do seu andar.  .  

Este verdadeiro artista tinha a sua oficina na Rua 31 de Janeiro. A determinada altura foi para o Brasil ... e por lá ficou.

Outro sapateiro artesão de muita nomeada na época entre as tricanas era o Ricardo, da Sapataria Brasil,  que ficava situada na Rua da Junqueira.   

 

A  meia de seda com risca a acompanhar toda a altura da perna (que ainda hoje se usa) emprestava subtil encanto a esta saudosa figura de tricana  poveira autêntica.

 A "Filantrópica", prestigiada cooperativa com muitas e muitas décadas de rico e fecundo historial e a que atrás fizemos referência, expôs no hall da sua séde, os exemplares de aventais e da blusa que acima reproduzimos.

Esta  iniciativa  foi levada a efeito no âmbito festas de São Pedro e teve como complemento a organização, pela primeira vez,  de uma "sardinhada"  na noitada de 28 para 29,  que teve lugar no rés-do chão das suas instalações e no exterior adjacente, a  qual registou grande afluência e animação.

 

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No sentido de proporcionar ao seus leitores um conhecimento mais pormenorizado do que realmente são as Festas de São Pedro na Póvoa de Varzim, o GARATUJANDO  fazer um relato tão circunstanciado quanto possível, do que nessa quadra festiva se pode observar e usufruir

Assim, classificaram-se os festejos em 6 temas principais, fazendo de cada tema um relato próprio, cada um dos quais constituiu um post com detalhes do assunto tratado.

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Generalidades e trajes 

Tronos ao santo padroeiro 

Rusgas

Iluminações 

Grande “Noitada” de S,Pedro 

Cortejo do Mar  

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publicado por garatujando às 15:20
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