Consideradas “Festas da Cidade” e coordenadas pela Câmara Municipal, as Festas de S.Pedro na Póvoa de Varzim, resultam da empenhada actividade das Associações de Bairro: Belém, Mariadeira , Matriz, Norte, Regufe e Sul., e das suas comissões executivas expressamente constituídas para o efeito.
Os bairros Norte e Sul estão situados no litoral da zona urbana da cidade enquanto que os restantes se situam mais para o interior.
Existe entre todos um salutar despique no sentido de que a participação global seja a melhor em termos de eficiência e de apreço: que cada um apresente uma rusga diferente com os seus trajes e as suas marchas, que o seu “Trono de S.Pedro” seja o mais original, de melhor efeito as decorações e mais vistosas as iluminações das suas ruas.
.Com meses de antecedência começam em cada bairro, os preparativos para a Festa:
- formação e o apuro da rusga com a criação da letra, da música e da coreografia para a marcha e respectivos ensaios ,
- confecção dos arcos e dos balões, e do carro identificativo que normalmente precede cada rusga
- projecto e execução do carro alegórico para o cortejo luminoso.
e tantas outras minudências próprias das complexas organizações deste género.
A rusga de cada bairro envolve grande quantidade de gente, desde os mais pequenos – a rusga infantil, - até aos seniores e aos veteranos, os músicos, etc.
A confecção da indumentária, fica a cargo de cada componente.
O trajo masculino é idêntico em todos os bairros: camisa branca e calça preta.
O trajo feminino, obedecendo sempre às cores dominantes identificativas do bairro, variam nos detalhes da confecção, e no género dos tecidos utilizados.
Dois pormenores dão realce especial à figura feminina - ou não se tratasse de mulheres com a coqueteria que lhes é peculiar:
- um avental rodado, de fino e aparatoso tecido que envolve cerca de três quartos da cintura, permitindo anenas que se veja, na parte de trás uma nesga do tecido preto da saia – reminiscência deturpada, do belo e elegante avental das antigas tricanas poveiras -
e
- as finas meias de vidro com a sua marcada risca na parte de trás, que sobe pela perna até desaparecer sob a saia, numa subtil insinuação que é o encanto dos olhos.
Este tipo de meias esteve muito em uso no tempo em que as saudosas tricanas da Póvoa trajavam a rigor, o que fazia de cada uma um mimo de graça e de beleza.
As raparigas, bonitas e esbeltas que as há muitas por aqui, ostentam, “repesteladas” –termo poveiro que significa “muito vaidosas”- , os seus (estilizados) trajes de tricana que, não tendo a sobriedade e elegância do traje de outrora, são, mesmo assim, vistosos e atraentes.. Nota actual é a muita “prausa” –termo que indica, igualmente, grande apuro, vaidade - com os penteados para esta noite de festa.Os cabeleireiros não têm, nesta altura, “mãos a medir”.
Os ensaios dos passos e voltas que hão-de caracterizar as exibições das rusgas merecem toda a atenção dos ensaiadores e dos músicos.
Embora todos os Bairros se empenhem de igual modo e trabalhem, todos, sem descanso para fazer o seu melhor, é entre o Bairro Norte e o Bairro Sul que essa rivalidade se mostra mais viva.
O GARATUJANDO tem como intento principal tornar mais conhecida a Póvoa de Varzim, as suas gentes, os seus usos, costumes e tradições.
Cabe naturalmente nesse propósito uma componente histórica em que se fale da evolução da cidade e do seu concelho, nas suas várias vertentes: demográfica, urbanística, económica e social.
Virá, pois, a propósito, nesta especial referência a estes dois bairros, uma brevíssima resenha acerca da formação e evolução de cada um, e da sua importância social e turística na Póvoa de hoje.
Os moradores do Bairro Norte e os do Bairro Sul têm origem comum na classe piscatória que inicialmente se havia estabelecido na borda da angra ou enseada, a qual, pela sua morfologia, constituía natural abrigo para os barcos de pesca.
Quando a Póvoa começou a ser vista como potencial estância balnear, o paredão construído no reinado de D.Maria I - e mais tarde alongado - para proteger a frota pesqueira das correntes marítimas que punham em perigo as embarcações, para além da sua função de protecção, viria a constituir, também, divisória natural entre a zona pesqueira e a pequena praia que começava então a ser frequentada pelas populações nortenhas do país.
A actual Avenida dos Banhos era uma sucessão de pequenos portões que davam acesso a casas que tinham frente para a rua paralela à marginal, a Rua Latino Coelho, e que na sua quase totalidade pertenciam a pescadores que tinham saída directa para o mar pelos respectivos quintais.
A praia de banhos foi-se estendendo progressivamente para norte, e a pressão demográfica resultante da frequência cada vez maior dos banhistas resultou numa profunda alteração urbana no norte da cidade, onde as pequenas casas dos pescadores deram lugar a enormes prédios de apartamentos, muito apetecidos por pessoas de fora da Póvoa que, ou vieram para cá residir, ou aqui passaram a ter a sua casa de praia.
Ora, isto teve como consequência que uma parte substancial da primitiva população que vivia no norte, vendidas as suas casas aos que pretendiam espaço para novas construções, se deslocasse, caso após caso, para a zona sul, juntando-se à gente da sua origem, parentes e amigos, que ali permaneciam.
Deste modo a população da zona sul cresceu de tal forma que as residências se multiplicaram exponencialmente, alastrando para zonas administrativamente pertencentes ao vizinho concelho de Vila do Conde (Caxinas e Poça da Barca).
Vilacondenses por imposição burocrática, esses novos moradores, porém, continuam sentimentalmente ligados à Póvoa de Varzim e demonstram, sempre que é oportuno, o seu poveirismo, como acontece agora nas Festas de S. Pedro em que entusiasticamente participam como autênticos poveiros que efectivamente são.
O movimento demográfico resultante dessa transformação fez com que muitos dos actuais moradores da zona norte sejam pessoas sem qualquer afinidade com os pescadores.
Do ponto de vista urbanístico a Póvoa “desfigurou-se” e a sua descaracterização como povoação piscatória foi o preço pago por um progresso nem sempre conseguido da forma mais aconselhável em termos urbanísticos.
Registe-se, contudo, que o que a Póvoa perdeu em tipicidade como vila piscatória, ganhou – e de que maneira ! – em desenvolvimento urbano e em movimento turístico tornando-se na grande zona balnear que hoje é, a mais bela e concorrida praia do norte de Portugal.
Voltemos às Festas de S.Pedro.
Não obstante o que atrás foi referido, continuam a viver no Bairro Norte muitos dos seus antigos habitantes, e são esses que matêm bem vivo um bairrismo que compete vigorosamente com o dos do Bairro Sul, principalmente por ocasião das Festas de S.Pedro.
.Para além de actividades paralelas de carácter desportivo, cultural ou comemorativo, e das cerimónias litúrgicas de homenagem ao Santo Patrono, o programa integra eventos marcadamente populares, como a atractiva e feérica decoração das ruas, entronização do Santo em cada bairro em encenações de belo efeito, desfile e exibição de rusgas,
cortejo luminoso com a participação de carros alegóricos e dos elementos das rusgas de cada bairro, cortejo folclórico e sessão de fogo de artifício.
É um extenso e completo programa que, considerados todos os eventos anunciados, se estende desde 25 de Junho a 17 de Julho.
A chamada “Noite de S.Pedro”, de 28 para 29 de Junho é o ponto mais alto do programa,.
Praticamente toda a população sai para a rua, não para assistir passivamente à Festa, mas para participar activamente nela. Uns, em grande número, integrando-se nas rusgas como activos apoiantes; outros funcionando como vibrantes claques em volta dos palanques montados em cada bairro para exibição da rusga local, e das rusgas rivais que permutam visitas entre si.
Enquanto se espera a passagem das rusgas com o seu interminável cortejo se seguidores, vão-se admirando as iluminações, diferentes em cada rua, e cada ano mais caprichadas.
São também motivo de atenção e agrado as típicas ornamentações de janelas e sacadas, de que o GARATUJANDO fez pormenorizada descrição no posted anterior (30 de Junho último), e as montras de muitos estabelecimentos com a suas decorações apropriadas às circunstâncias.
Entretanto, aqui e ali, há braseiros a assar sardinha, junto de mesas onde não falta a saborosa broa e o vinho verde (que por estes lados não se usa outro), tudo oferecido em expontâneos convites a quem passa, conhecidos ou não.
Junto aos braseiros vê-se madeira velha amontoada, achas, restos de móveis e tudo o que sirva para queimar, para alimentar as fogueiras em redor das quais se desenvolverão, noite fora, as danças e folguedos dos jovens … de todas as idades.


No momento em que foram obtidas estas imagens, era ainda bastante cedo. Começavam, a atear-se as fogueiras, mas as danças e folguedos , as sardinhas, o vinho e a broa viriam mais tarde, depois de passadas as Rusgas.
Vejamos outras imagens que apenas darão pálida ideia destas movimentadas e fervilhantes festas da cidade, as Festas de S. Pedro na Póvoa de Varzim.
As decoração das ruas principais da cidade, se resultam vistosas e de bom gosto à luz do dia, tornam-se feéricas e de cheias de cor à noite por efeito dos milhares e milhares de pontos de luz nelas utilizados
Numa perspectiva alongada, as ruas transformam-se em autênticos túneis abobadados pelo brilho refulgente de mil cores, de belíssimo efeito cénico.
Não são luzes dispostas ao acaso: elas formam curiosos e bem conseguidos desenhos que reproduzem os mais diversos motivos, com especial incidência sobre a figura do Santo, de símbolos religiosos, de apetrechos de pesca e de pormenores relacionados com cada bairro, numa intencional associação de vários factores comuns.










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A cidade esteve, no S.Pedro, pejada de gente.
E, na verdade, estas Festas, pelas características que as distinguem de quaisquer outras, pela esfusiante e generalizada alegria que geram, pelas suas magnificas decorações e por tantos e tão variados atractivos que lhes são habituais , bem justificam o elevado número de forasteiros que aqui afluem em número cada vez maior de ano para ano.
foi adaptada do novo PORTAL DA PÓVOA DE VARZIM ver aqui
AGRADECIMENTOS
“TONI – Fotógrafo” Rua Coronel Ondinot, 71
”NIFOTO – Fotografia e Vídeo”, Rua Frei Sebastião, 2 A
pela amável cedência de várias imagens fotográficas que muito vieram valorizar este posted
Se se lembra de alguém para quem a leitura do GARATUJANDO pode ter motivos de interesse fico-lhe, também, muito grato pela divulgação.
Contacto:
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